3 de junho de 2008

Wikipedia: Se não os podes vencer, por que não te juntas a eles?

Há muitas críticas à falta de rigor científica da Wikipedia, quando não mesmo ao formato e à filosofia do projecto. Eu próprio, aqui na Travessa…, já me insurgi uma, duas vezes contra páginas da famosa enciclopédia online. Quero agora, no entanto (sem deixar de constatar que ela tem, pois claro, aspectos negativos), fazer a defesa da Wikipedia, a partir de dois argumentos simples, para fazer depois uma proposta de acção:

O primeiro argumento é que a falta de rigor de certas páginas está longe de ser exclusiva da Wikipedia. Há enciclopédias umas melhores do que as outras, e, muito provavelmente, umas melhores do que as outras em determinados aspectos e piores noutros, mas a falta de rigor não é exclusiva da Wikipedia. Se vamos por aí…

O segundo argumento é que a Wikipedia tem artigos, alguns até muito bons, sobre uma variedade de temas que é impossível encontrar noutras enciclopédias. Que enciclopédia é que me pode dar informação como a Wikipedia me dá sobre o conto “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius”, de Jorge Luis Borges (é um exemplo que já aqui referi) ou sobre a canção “Hey Joe”? Comparada com todas as outras enciclopédias, a Wikipedia é muitíssimo mais enciclopédica…

E qual é a proposta, então? Bom, uma vez, ao procurar informação sobre a batalha de Aljubarrota (estava, de facto, a propósito da tomada de Cajamarca por Pizarro, a pesquisar sobre batalhas ganhas por exércitos em grande inferioridade numérica), cheguei à conclusão de que a informação variava, na Wikipedia, da página em português para a página em castelhano, devido, muito provavelmente, a enviesamentos nacionalistas. Agora, como podem verificar, essas discrepâncias foram em grande parte corrigidas, o que é outra das características positivas da Wikipedia: ela vai-se aperfeiçoando (a própria entrada Saudade, que eu critiquei aqui, já melhorou alguma coisa desde a altura em que escrevi o texto sobre saudosismo). Mas, na altura, fiquei zangado com a enciclopédia livre. E depois, muito maquiavelicamente, pensei: “A Wikipedia, pelo menos no seu estado de vigor actual, é uma instituição demasiado poderosa para se poder combater. Quer queiramos quer não, é lá que a maior parte das pessoas vai buscar informação sobre uma variedade cada vez maior de assuntos. Ora a Wikipedia está aberta a qualquer colaboração. Por que é então que as instituições académicas, em vez de criticar apenas a Wikipedia e desaconselhar a sua utilização, não formam pequenos comités Wikipedia, para irem corrigindo os disparates ou as perspectivas parciais que por lá encontrarem, ou completarem o que julgam ser lacunas nas diversas entradas? Umas horitas semanais de cada departamento das universidades dariam, com certeza, excelentes resultados.

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