18 de novembro de 2009

De gestos e palavras, quais importam?

De gestos e palavras, quais é que mais importam? Quais é que fazem diferente o mundo do que antes desses gestos e palavras ele era? De gestos e palavras, quais é que mais se entranham na vida de quem tocam? E de gestos e palavras e do resto, o que é que de nós chega a ser não digo História, mas vá, nem que modesta contribuição para os nossos serem o que são, para ser como é a terra, as terras, onde vamos vivendo?

A verdade é que ninguém sabe: Aconchegar outrem junto ao peito? Dar cabo, transido de medo, do inimigo que a guerra lhe pôs à frente? Encher de roupa a máquina e depois de detergente, e depois apertar o botão? Calcular sonolento os deves e os haveres? Ou calcular as leis inexoráveis da máquina do mundo? Ou calcular as outras, menos inexoráveis, que mandam nos gestos de nós (nos tais gestos de que nunca chegamos a saber quais é que modelam o mundo e quais preenchem apenas dispensáveis... isso, dispensáveis... minutos de vida)? Escrever tratados ou sinfonias? Afinar os travões da bicicleta? Preparar o desembarque em Dunquerque? Regar as plantas da sala? Dormir a sesta? Chorar uma morte? Chorar mil mortes? Pregar aos peixes?
Ou pôr a mesa para o jantar?

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