26 de novembro de 2009

De preceitos e preconceitos

De todas as maneiras que há de falar uma língua, a nossa é sempre a correcta… Não é o que eu penso, mas é o que pensa muita gente. A maioria das pessoas, acho eu. Nada mais difícil, pelos vistos, do que reconhecer como maneira de falar ao mesmo nível da sua uma maneira de falar diferente da sua. Uma prova disso é a necessidade de se fazerem duas traduções para a mesma língua, uma em português europeu e outra em português americano. Mesmo quando uma tradução brasileira é excelente, os portugueses preferem ler uma tradução menos boa no seu português…

Agora, para que não pensem que me julgo isento de preconceito linguístico, conto-vos uma constatação que fiz no outro dia: Tenho quase a certeza de que, se um aluno meu, digamos, irlandês ou sueco, me escrevesse num TPC os dois últimos versos da penúltima quadra da letra de “Asa Branca”, de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (“Espero a chuva cair de novo, / para mim voltar para o meu sertão”), eu corrigia. Era capaz de achar que “estava mal”, que era uma “construção estrangeira” – quando se trata de uma letra maravilhosa, de um grande clássico da canção em língua portuguesa…

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