11 de dezembro de 2009

Faz-nos bem ao figueiredo e também ao coração

Versos, pois… E porque não?
Ele há vezes em que eu,
compreende Vossa Senhoria?,
não vejo ne’ssidade de chegar
a conversa ao fim da linha.
Basta-me o verso, bem vê,
uma mania que eu tenho…
– ou outras maneiras que haja
de ligar mais ao dizer
do que àquilo que se diz. Que mal
vê nisso Vossa Senhoria?
É certo: não traz ao mundo
bem nenhum, pois isso não…
Mas nem mal traz...

Quando é p’r’alguém ouvir mesmo
o que eu tenho p’ra dizer,
compreende Vossa Senhoria?,
faço os possíveis por encher
as linhas até ao fim…

Que seja o que mais falta faz,
dou-lhe nisso toda a razão!
Agora, que seja uma perda de tempo
não dizer sempre o que mais conta,
isso é a opinião de Vossa Senhoria, que não a minha.

Eu gosto de converseta,
seja ela em verso ou não:
faz-nos bem ao figueiredo
e também ao coração!