13 de março de 2010

Conselho sem muita convicção

O meu conselho é não buscar com que se ocupar, em que pensar, sobre que escrever (não buscar!…); manter pesada a consciência, do peso que se calcula que pode ter o mal virtual, por fazer; não deixar que o futuro seja mais do que desejo, nem que o desejo preencha o futuro todo.

O meu conselho é ter calma, pelo menos que chegue para resolver a vida, à medida que ela nos vai atacando; prestar muita atenção aos sofrimentos que há, que só por acaso não são nossos; adormecer com o coração cheio de música e cantar de manhã, ainda antes do café, que se quer sobretudo alegre.

[Um comboio, um écran, qualquer olhar,
tudo tem nome!, as árvores, a charneca, o estrume primaveril,
a corrida extravagante do cavalo islandês,
mesmo os mais obscuros – e até raros – sentimentos,
os degraus (é mesmo assim) de parentesco,
a famigerada e, démodée ou não, incontornável
fragilidade desta nossa condição.]

O meu conselho é, como dizia, não buscar, que chegam bem as tantas coisas que há em que vamos tropeçando – são passatempo de sobra para muitas tardes e noites, material inesgotável para os livros todos que se quiser.

Agora, se me perguntarem se é com muita convicção o conselho, digo que não. E digo mais (o meu último conselho):

O meu conselho é ensinar, propor, contrariar, aconselhar, mas sem nunca exagerar em convicção...

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