16 de fevereiro de 2011

Chuva de pedra

Começou alguém hoje a falar de granizo e lembrei-me de um poema que fiz há 24 anos:

A chuva de pedra

Granizo granito grito
torrencial aliteração
ponte de líquida pedra
de um céu até outro céu

Aguaceiro desconforto
(Vou pôr a alma a secar)

Lembrei-me do poema, mas não me lembro se, quando o fiz, tinha já ouvido falar dos famosos (?) versos de um poema que Vladimir Maiakóvski dedicou a Sérguei Iessenine [Вам / и памятник еще не слит,— / где он, / бронзы звон / или гранита грань?—], que significam, estou eu em crer (mas não garanto…), qualquer coisa como

Tu / monumento ainda não te ergueram – / onde estão / o ruído do bronze / ou as arestas de granito? –

e que o autor de uma tradução inglesa que se encontra online (que não consigo descobrir quem é...) traduziu preservando a aliteração em [gr] de гранита грань [granita gran] (!!!):

A monument for you hasn't yet been cast –
where it is, bronze reverberant or granite grand? –

Se já conhecia, quando escrevi o meu poema, este granita gran, chamemos-lhe um piscar de olho a Maiakóvski, para não lhe chamarmos cópia; se não conhecia o granita gran de Maiakóvski, então tive sorte nesse dia de granizo.

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