23 de fevereiro de 2011

Moços de corda reais e moços de corda maginários

Na edição de 21 de Fevereiro de 2011 do seu programa Lugares Comuns, na Antena 1, Mafalda Lopes da Costa explica da seguinte forma a origem da expressão ser um moço de corda.

Ser um moço de corda de alguém é ser um pau-mandado, na prática alguém que age por conta de outro sem discutir nem pôr em causa as ordens recebidas. A frase nasce da derivação do termo de moço de fretes, uma figura muito utilizada nos escritórios e que era alguém que fazia recados, transportava objectos, ia aos correios, etc. Uma espécie de pau para toda a obra que na altura tinha um salário pré-combinado.

Em Assim Mesmo, diz Helder Guégués que suspeita “que a explicação para a expressão não é a referida”. “Não se deverá antes ao facto de antigamente os galegos estarem aí pelas esquinas da cidade com cordas ao ombro à espera de alguém os contratar para qualquer trabalho que requeresse força bruta?”, pergunta ele.

Parece-me óbvio que sim. E parece-me muito estranho, sinceramente, que a pesquisa de Mafalda Lopes da Costa não a tenha levado a esses moços de fretes, mas sim a outros que, creio, nunca existiram (eu, pelo menos, sempre ouvi chamar paquetes ou moços de recados às pessoas que, nos escritórios, faziam o trabalho que ela descreve, nunca moços de fretes)… Parece-me estranho porque os moços de fretes não desapareceram há muito tempo e porque basta pesquisar em Google “moço de fretes” para ficar logo a saber quem eram e o que faziam. O blogue Dias que Voam, por exemplo, explica-o muito bem e ilustra até a explicação com uma fotografia em que se vê bem a corda.

A propósito:  recomendo os dois blogues aqui referidos, Assim Mesmo e Dias que Voam.

[Atualização a 19 de junho de 2013: o Assim Mesmo mudou-se, já há algum tempo, para o Linguagista.]

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