25 de dezembro de 2011

Do topo verde da árvore, uma cantiga de Natal [Crónicas de Svendborg #10]

Peter Faber nasceu em Copenhaga a 7 de outubro de 1810 e morreu nesta mesma cidade a 25 de Abril de 1877. Foi diretor dos telégrafos, um dos primeiros fotógrafos da Dinamarca e poeta.

A primeira fotografia dinamarquesa, um daguerreótipo da Ulfeldts Plads, foi tirada por Peter Faber em 1840 (Wikimedia Commons)
Bem veem, para se ser poeta não é preciso ser-se mais alto, nem morder como quem beija, nem ter por elmo manhãs de oiro e de cetim, basta fazer versos – e podem perfeitamente ser versos despretensiosos, a falar da vida prática das pessoas normais, e serem até cantados em cantigas famosas. A cantiga mais famosa que Peter Faber escreveu é conhecida agora pelo primeiro verso, Højt fra træets grønne top, “Do topo verde da árvore”, e é uma canção que se canta em todas as consoadas sem exceção. É, aliás, uma cantiga tão importante que a casa onde Peter Faber a escreveu, no centro de Copenhaga, ostenta uma placa a anunciar precisamente isso, que foi ali que a cantiga foi escrita. Para não alongar demasiado este texto (ou por preguiça apenas, quem me conhecer decidirá, consoante a ideia que tenha de mim) traduzo apenas a primeira, a quarta, e a oitava e última estrofes da famosa canção, esperando não desvirtuar demasiado, pela omissão do resto, o seu conteúdo.
No topo verde da árvore / brilha o esplendor do Natal; / toca a tocar, tocador / que a dança começa agora! / Anda, dá-me a tua mão, / não mexas nas passas de uva – / primeiro, dança-se e canta-se, / só depois é que se come! // [...] Não descansa a Anna enquanto / as prendas não receber: / quatro varas de lã pura / para um casaco de inverno. / Que cara me sais, menina!... / Mas, como coses tão bem, / acabamos por poupar, / não é verdade, filhinha? // [...] Crianças, já estou cansado, / já não vos dou nada mais. / A mãe está ali na cozinha, / ela que vos sirva agora / que é para isso esta bolsa, / vejam que pesada está! / Tanto que dura o Natal, / e o dinheiro que ele custa!
A edição original de 1848 da canção tem o título “A árvore de Natal, canção infantil de P. Faber composta para pianoforte por E. Horneman”. O que eu acho interessante na canção é o seu espírito despudoradamente prático – alguns dirão até um bocado avarento...–, com esta insistência um pouco incomodativa no facto de a magia da quadra natalícia custar muito dinheiro. Uma verdade simples, que, ficamos então a saber, já o era em 1848.

Poul Reichhardt, "Højt fra træets grønne top", 1944

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