31 de agosto de 2012

Um nome entre o silêncio e o ruído

Comprei por cinco coroas apenas, numa loja de segunda-mão, um livrinho de poemas de Mowlana Jallaledin Mohamad Rumi. O livro chama-se Whispers of the beloved (Londres: Thorsons, 1999) e é uma seleção de quadras do mestre sufi. Há algumas que me fazem lembrar João da Cruz ou Angelus Silesius, de quem já aqui falei uma vezPergunto a mim mesmo se a poesia destes místicos nos surpreende menos hoje do que surpreendia os seus contemporâneos. Rumi diz que a voz de Deus se ouve no silêncio, e que é silêncio que envolve o segredo do mundo, porque Deus é o mestre do silêncio (traduzo eu das traduções inglesas):  
Ensurdecido pela voz do desejo/ não te apercebes de que o Amado / vive no centro do teu coração. / Pára o ruído / e ouvirás a Sua voz / no silêncio (Quadra 181)
A noite passada, pedi ao Sábio que me dissesse / o segredo do mundo. / Suavemente, murmurou: / “Não digas nada; / o segredo não pode ser dito, / está envolto em silêncio”. (Quadra 1022)
Deus conhece-te sob qualquer disfarce, / ouve as palavras que não disseste. / Toda a gente se deixa tentar / pela eloquência da fala, / mas eu sou escravo / do mestre do silêncio (Quadra 742)
Que longe estamos do barulho que costuma fazer o nome das divindades – ou do barulho que com ele se costuma fazer…

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