26 de setembro de 2012

Filosofia de algibeira #3

Moral vem do latim moralis, relativo a mores; e alguns dicionários dizem que mores significa “costumes”, outros que significa “maneiras, comportamentos”. Seja lá como for, e por muito que influam sempre nos comportamentos, os costumes são maus argumentos morais, isto é, são maus argumentos quando se discute um código de comportamentos, o que é bem ou mal, o que se pode ou não fazer. Nem sequer é argumento, aliás, defender que algo se possa fazer ou se deva proibir porque é ou não é tradição fazê-lo – é antes uma falta de argumento, precisamente, uma injustificação.

Se estão certos os dicionários que dizem que a moral começou por ser relativa aos costumes, para ela deixar de ser algo indiscutível e podermos todos ter algo a dizer sobre as regras a que devemos obedecer (para que haja, em suma, uma moral democrática), podíamos então dizer que há que desetimologizar a moral: podemos achar que uma tradição é boa ou má, mas não a invoquemos como justificação do valor de uma proposta moral, sim?

2 comentários:

Joao Raposo disse...

Encontrámo-nos por estes dias num comentário sobre influências lunares e foi um pouco um diálogo de surdos porque estávamos a falar de coisas diferentes (o Vítor falava de nexos causais e eu referia-me a um comentário anterior que tinha a ver com critério, sobretudo com critérios proposicionais) que não têm nada a ver com este poste.
Entretanto descobri este seu blogue que me parece bastante interessante, embora só ainda tenha lido meia dúzia de posts.
Concretamente a este sobre moral subscrevo as suas questões, mas procuro ir mais além.
Como não começámos da melhor maneira, se estiver interessado numa discussão com argumentos e fundamentos (que pelo que aqui vejo é o seu hábito) proponho-lhe uma vista de olhos por este texto (http://cronicasdomeudescontentamento.blogspot.pt/2012/02/de-que-falamos-quando-falamos-de-etica.html) que aborda o mesmo tema.
Se o quiser, poderemos a partir de ambos os textos encetar uma conversação.
Cumprimentos

Vítor Santos Lindegaard disse...

Caro João Raposo,
Muito obrigado pelo seu comentário. Terei o maior prazer em ler e discutir o texto que me propõe. Não lhe prometo que o faça já hoje, mas dir-lhe-ei qualquer coisa em breve.
Cumprimentos