28 de setembro de 2014

O princípio da desvantagem e a in/utilidade da arte

Não é invulgar a ideia de que a inutilidade é uma característica essencial da arte. Oscar Wilde, por exemplo, afirma-o perentoriamente no fim do famoso prefácio ao Retrato de Dorian Gray (traduzo eu):

Podemos perdoar a um homem fazer uma coisa útil, contanto que a não admire. A única desculpa para fazer uma coisa inútil é admirá-la intensamente.
Toda a arte é bastante inútil. 
Mas eis um enquadramento diferente da ideia: há quem alargue o alcance do chamado princípio da desvantagem, aplicando-o também, entre outras coisas, à criação artística*. Muito resumidamente, a ideia é que um solo de trompete é um sinal como a cauda de um pavão, que se ostenta como quem diz: “vejam, sou tão bom que, além das capacidades que me asseguram o essencial para a sobrevivência, até tenho capacidades desnecessárias e difíceis de adquirir!”

Um handicap tem, por definição, de ser inútil do ponto de vista adaptativo. Ao servir para a seleção sexual, porém, ganha uma utilidade considerável. Agora, parece-me que, embora sem a referência à teoria do handicap e sem as suas complexidades, a ideia de que uma das motivações da arte (ou a sua motivação essencial) é impressionar potenciais parceiros sexuais é tão antiga e tão comum como a ideia da sua inutilidade: sempre ouvi dizer que é para seduzir que se aprende a tocar guitarra e que o domínio do metro e da rima vale tanto para esse mesmo fim como um rosto bonito, dentes saudáveis ou um corpo bem feitinho.
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* A ideia, que conheci através de Tor Nørretranders em O homem generoso (2005) (de que já aqui falei uma vez), vem de Geoffrey Miller em Mating Mind (2000), que vê a seleção sexual como origem e finalidade da mente humana.

21 de setembro de 2014

Breve recensão de Uma vida chinesa

(e algumas considerações sobre as expressões banda desenhada e novela gráfica)

Nos anos 60, surgiu, em inglês, a expressão graphic novel para designar um certo tipo de banda desenhada a que se aplicavam mal as designações tradicionais, como comics ou funnies. Só em finais da década de 80, porém é que a expressão começou a ter grande divulgação. Não sei com que prontidão as expressões romance gráfico e novela gráfica foram adotadas em português (a primeira mais no Brasil, a segunda mais em Portugal), mas são hoje expressões habituais. Quero fazer aqui duas pequenas observações, antes de passar ao romance gráfico que aqui me traz:

A primeira é sobre a designação portuguesa das narrativas com sequências de figuras complementadas ou não por balões e caixas de texto. Banda desenhada, a expressão que uso por (mau!) hábito, parece-me bastante infeliz. Má tradução de bande dessinée, usando os cognatos das palavras da expressão francesa, banda desenhada refere de facto as historietas que eram publicadas em tiras diárias ou semanais – e erradamente, porque sempre lhes ouvi chamar tiras, precisamente, e nunca bandas. É preferível, apesar de tudo, a outra designação mais popular de histórias aos quadradinhos, embora seja melhor ainda a expressão brasileira, histórias em quadrinhos, pela preposição em (em episódios, em fascículos, etc.) e pelo nome, já que é de quadros e não de quadrados que se trata.

A segunda nota é sobre as expressões romance gráfico e novela gráfica. Também novela gráfica é uma má tradução usando o cognato português da palavra inglesa novel, e romance gráfico é que é, pois, a tradução correta. Agora, é certo que, pela relativa linearidade do enredo e pela sua brevidade, os romances gráficos são antes, na maior parte dos casos, contos gráficos ou novelas gráficas.

E este segundo apontamento traz-me, precisamente, à história de que vos quero falar, Une vie chinoise, de P. Ôtié [Phillipe Autier] (guião) e Li Kunwu (desenhos)*: acabo de ler um verdadeiro romance gráfico – 723 páginas, uma BD de fôlego.

Uma vida chinesa é uma a quase-autobiografia do ilustrador Li Kunwu e pretende ser a história da vida de “um chinês comum” como exemplo da vida dos chineses entre 1955 e 2010. Mas não tem ambições de ser descrição histórica ou análise sociológica: é apenas uma sucessão relativamente fragmentada de episódios de vida, de várias vidas. O autor do guião, o francês Phillipe Autier, recusa-se a fazer de Li Kunwu e das outras personagens principais apenas tipos sociais planos; e as personagens têm, dentro dos limites deste tipo de narrativa, uma relativa densidade.

Há quem acuse esta obra de repetir o que Li Kunwu fez toda a vida: propaganda do Partido Comunista Chinês. Não me parece que se o possa afirmar, até porque há partes de crítica veemente; mas a obra não é vazia, se não de óbvia exaltação, pelo menos de defesa do Partido Comunista. A dada altura, no terceiro volume, surge de repente esse tipo especial de construção em espelho em se assiste à discussão e criação da própria obra. Parece tratar-se de uma solução para um impasse: Otié e Kunwu discutem o que dizer de Tiananmen. Nessa história da história (com desenhos sombreados a cinzento, para não se confundirem com o resto da narrativa**), diz-se que houve em todo o guião uma vontade de objetividade. Pode bem ser. Provavelmente, a postura de Li Kunwu em relação ao partido, a si próprio e aos seus próximos parecerá crítica à maior parte dos leitores, mas ele está, o mais das vezes, a contar só o sucedido, sem o avaliar. De Tiananmen, porém, diz Li Kunwu que não sabe muito, que não conhece ninguém que tenha participado, que é uma coisa sem importância, enfim, e que já foi há tanto tempo... E parece-me indesculpável, esta desculpa. Tão indesculpável como a afirmação de que a China precisa de sossego e que, sejam quais forem as decisões e as políticas do governo, é preciso acatá-las sem causar conflitos, a bem do país...

Ainda assim, dos aspetos mais caricaturais aos mais tenebrosos, dos desmedidos anseios aos desenganos, num olhar que é, ao mesmo tempo, de simpatia e de crítica, externo e interior, não há nada muito linear em Uma vida chinesa e a única coisa que é mesmo a preto e branco é o excelente desenho de Li Kunwu – um traço em que se fundem a tradição de ilustração clássica chinesa, a estética épica e kitsch da propaganda comunista e uma vontade de modernidade que perverte esses dois conjuntos de convenções.


Agora, pode discutir-se se vale a pena uma banda desenhada tão longa para contar o que esta conta. Talvez a narrativa se arraste demasiado, aqui e ali. Mas, no geral, não se sente que perde ímpeto ou que se despacha no fim, como acontece às vezes às narrativas longas. A mim, o desenho de Li Kunwu não me cansa e achei o 3º volume o mais bonito do ponto de vista gráfico.
Tenho pena de não poder apresentar-vos aqui uma seleção minha de partes da obra. Como o formato dos livros não me permite digitalizar as imagens com qualidade, tive de me limitar ao que encontrei na Internet com uma resolução razoável. Mas espero que chegue para dar, a quem não conhece Uma vida chinesa, uma ideia da estética de Li Kunwu e vontade de ler a obra.

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* Edição original: Paris: Kana (Dargaud-Lombard, 2009 (tomo 1 e tomo 2); 2011 (tomo 3)
** Pode ler-se/ver-se esta parte da obra na terceira secção do artigo de Nick Stember “Putting 25 Years of Silence in Context with Comics and Animation”

19 de setembro de 2014

É extraordinário…

…que eu, que testemunhei tantas vezes o insólito (vi uma vez um lama na praça central de uma pequena aldeia provençal!), nunca tenha encontrado na vida um deus, um extraterrestre, uma alma de outro mundo…

[Sem palavras]


A morte – a nossa, a dos nossos, a de todos os outros – é aquilo que mais importa na vida e, por isso, aquilo de que mais importa falar; e é também aquilo de que nada importante se consegue dizer.

Quando chego ao fim da frase, duvido do que isto seja verdade para toda a gente. É preferível dizê-lo na primeira pessoa:
A morte é aquilo de que mais me importa falar e de que não sei dizer nada importante.

11 de setembro de 2014

Notas avulsas sobre regras e exceções

Pois é: sabemos que é paradoxal a regra “não há regra sem exceção” (se toda a regra tem exceção, então essa regra tem de ter uma exceção, que é a regra sem exceção, pelo que nem toda a regra tem exceção), mas continuamos, nem que excecionalmente, a aceitar como regras regras com exceções, não é verdade?

Nisto de regra e exceção, há, por regra, alguma confusão. Muitas vezes, a confusão advém de a palavra regra ter dois significados (ou mais, mas que não importam nesta discussão), conforme se aplique ao que as coisas são (as leis da Física, por exemplo) ou ao que as coisas devem ser (por exemplo, o Código Civil). Na discussão sobre língua, para puxar a brasa à minha sardinha, uma coisa são as regras que constatamos ao estudar a capacidade humana da linguagem e cada uma das línguas particulares em que esta capacidade se organiza e manifesta, e outra coisa diferente é a norma ou normas linguísticas vigentes numa determinada sociedade. Quando digo que, no português europeu, a marca de plural toma a forma /ʃ/, /ʒ/ ou /z/ consoante o som que se lhe segue, estou a enunciar uma regra do primeiro tipo (leiam respetivamente ch, j e z, se vos atrapalham estes símbolos fonéticos e, se vos parecer estranho, atentem em como pronunciam o s a negrito em “as casas castanhas”, “as casas brancas” e “as casas azuis”). Mas, se alguém disser, por exemplo “não se deve dizer «pode-se dizer», deve dizer-se «pode dizer-se»” está a propor uma (discutível) regra do segundo tipo.

Quando se diz que uma regra referente ao mundo natural tem exceções, isso significa, em princípio, que essa regra não é uma verdadeira regra, mas sim uma pseudorregra simplificada – porque não se conhece a verdadeira regra ou por razões didáticas, por exemplo. Quando se diz que uma regra moral (em sentido lato, incluindo as leis) tem exceções, estamos a constatar que há quem não a respeite ou a acrescentar uma adenda à regra, uma regra suplementar: “esta regra pode não se respeitar nas seguintes condições:..”

A célebre máxima “as leis existem para ser violadas” não passa, ainda assim, a ter valor de verdade quando se constatam que existem, na maior parte dos casos, adendas às regras, que se percebem como exceções ou simplesmente desrespeito pontual das mesmas regras, pelos mais variados motivos. Ser violada não é finalidade de regra nenhuma nem seu constituinte necessário, é apenas um acidente extremamente frequente – se me perdoam a disparatada cacofonia…

Parece-me claro que, para a maior parte das regras – mesmo para as leis escritas –, se pressupõe, ou deveria pressupor-se, que deve ser o bom senso a imperar na sua aplicação. Eu, por exemplo, tenho para mim que a regra de não atravessar a rua quanto o sinal está vermelho só se deve de facto respeitar quando se verifica pelo menos uma de três condições: i) haver crianças por perto ou outras pessoas que ainda estão a aprender a interiorizar a regra, porque senão aprendem o que não devem; ii) haver veículos a circular na faixa de rodagem, porque senão pode ser-se atropelado ou causar acidente; e iii) haver por perto algum agente da autoridade, porque senão pode ser-se multado ou punido de outra forma. De resto, não há razão para não atravessar.

Como dizia uma amiga minha, se é importante, ao educar uma criança, ser firme na imposição de regras (para a criança interiorizar o conceito de regra e, em certos casos, para aprender as regras em questão; e ainda, numa perspetiva mais imediata, para facilitar a vida aos educadores e à própria criança), também é importante abrir uma por outra vez exceções às regras impostas, para a criança aprender que uma regra não deixa de o ser quando é esporadicamente desrespeitada.

2 de setembro de 2014

A angústia do guarda-redes na altura do penálti

[O título é mais conhecido que a obra, creio eu – ou as obras, seja, porque há o livro de Peter Handke e o filme que Wim Wenders fez baseado no livro. Eu, pelo menos, conheço o título sem nunca ter lido o livro nem visto o filme, infelizmente. Assim sendo, não sei como se deve interpretar o título no contexto da obra e quero deixar claro que o que se segue não diz, de modo algum, respeito às obras de Handke e Wenders, mas apenas... à angústia do guarda-redes na altura do penálti.]

O meu filho disse-me hoje que não tinha querido marcar um penálti. Tiveram que desempatar um jogo a penáltis e, em princípio, cabia-lhe a ele marcar um, mas ele não quis:
Estava sem confiança e nunca se deve marcar um penálti quando se sente falta de confiança. 
Segundo o Alexander, além de não se poder hesitar, também não se pode nunca virar as costas ao guarda-redes.
É preciso olhar sempre para o guarda-redes, de preferência nos olhos, se se puder. E tem de se manter sempre a decisão inicial – se a primeira coisa que pensámos foi chutar rasteiro para a direita, tem de se chutar rasteiro para a direita. Senão, falha-se, não há nada a fazer, falha-se mesmo!
Numa coisa estamos de acordo, ele que percebe tanto de penáltis e eu que não percebo nada:
É extremamente difícil defender um penálti bem marcado e, quanto mais não seja porque se marcam mais penáltis do que se falham, espera-se mais o golo que a defesa. Quem marca o penálti sente-se com muito mais obrigação de marcar que o guarda-redes de defender. É natural que o guarda-redes sinta alguma angústia na altura do penálti, mas é muito maior a angústia de quem o marca.

Latas de coisa nenhuma e outras novidades

Enfim uma boa notícia: água em pó! As embalagens, com cerca de 1.000 gramas, têm apenas a seguinte instrução de utilização: “basta juntar água”. 
É uma piada que por aí circula, com várias redações. Mandou-ma um amigo, com a seguinte introdução: “Olha a tanga deste…”

Este amigo fez comigo um programa de rádio nos anos oitenta. Num sketch humorístico desse programa, entrevistava ele um tal Professor Agadois do Ó (eu), que tinha inventado a água liofilizada. O sketch foi improvisado, como muitas vezes eram os nossos sketchs no programa. Eu tinha alinhavado a história da água liofilizada, expliquei-lhe qual era a ideia e improvisámos.

“Ora bem”, explicava eu, “a liofilização é um processo que permite tirar a água a qualquer substância para assim a conservar, podendo depois reconstituir-se essa mesma substância acrescentando-lhe a água que lhe foi retirada. Agora, bem vê, se tirarmos a água à água, não fica grande coisa… A bem dizer, não fica nada… De maneira que é muito leve, muito fácil de transportar, por exemplo, nos sítios onde não há água, como os desertos. Depois, em a gente tendo sede, é só juntar água e pronto, temos outra vez água!”

O que o meu amigo queria dizer quando me escreveu “Olha a tanga deste…” era, pois, que o outro chegava tarde – aquela história era uma criação nossa, há quase 30 anos. Mas parece-me improvável. Não que eu tenha ido buscar a ideia a algum lado, que não fui – inventei-a eu; mas é provável que alguém tivesse já tido a mesma ideia antes de de mim, de óbvia que é a brincadeira.


Neste momento, a ideia até já está registada. Descobri o ano passado que, a 18 de junho de 2010, foi registada nos EUA a patente de “latas vazias” de “água desidratada” como “artigo humorístico” (aceito proposta de melhor tradução para novelty item). “Verta o conteúdo da lata num galão de água, mexa até estar dissolvido, ponha no frigorífico e sirva”, diz a lata.

Na realidade, a ideia de vender latas vazias também não é original. Conheço há muito tempo as latas de ar de Paris das lojas de souvenirs de Beaubourg e descobri agora que também se vende ar do mar-alto bretão. Não sei quando começaram a produzir-se as latas de ar de Paris, mas também não são uma ideia original: numa viagem que fez aos Estado Unidos em 1919, Marcel Duchamp ofereceu ao seu amigo Walter Arensberg uma ampola de ar de Paris, que é considerada um dos seus readymades e está hoje exposta no Museu de Arte de Filadélfia.

Também não é forçoso que quem inventou as latas de ar de Paris conhecesse a ampola de Duchamp – pode ter tido a mesma ideia, como o senhor Bernard teve a ideia da água desidratada mesmo sem ter ouvido a entrevista com o Professor Agadois do Ó no nosso programa radiofónico. “O segredo da criatividade”, disse Cyril Edwin Mitchinson Joad (e de muitas maneira diferentes!), “é saber esconder as suas fontes”. Mas não é bem assim, pois não*?


P.S. 1: Um dia destes, veio-me à cabeça uma maneira de aferir a genialidade de uma criação (o grau de criatividade, se se preferir): Quanto menos vezes ela tiver ocorrido autonomamente, mais genial ela é. Dito de outra maneira: se uma criação resultar de um cruzamento de capacidades, vivências e conhecimentos tão únicos que é improvável voltarem a acontecer, estamos perante uma verdadeira originalidade, um golpe de génio, um alto grau de criatividade. Foi essa ideia que motivou este texto. Mal comecei a escrevê-lo, porém, dei-me conta de que a ideia, que, à primeira vista, parece elegante, não tem, na prática, aplicação nenhuma… Teoricamente, é possível contar as ocorrências de uma determinada criação múltipla, mas na prática isso é, em muitos casos, completamente impossível…

Além disso, há imediatas objeções à justeza da proposta. Uma é que juntar sob a designação genérica de ideia ou criação descobertas, invenções e trabalho estético é um artifício que apaga especificidades de cada um dos tipos de criação, incluindo a maior ou menor possibilidade de ocorrência múltipla independente: descobrem-se coisas que existem no mundo real, sejam elas materiais ou conceptuais, pelo que é, nesse caso, mais provável que várias pessoas venham a descobrir o mesmo. O mesmo se pode dizer de muitas invenções, que também decorrem naturalmente do contacto com o meio, como a domesticação de animais, a agricultura ou a fotografia, e são, por assim dizer, um tipo de descoberta. A criação estética é diferente e é também mais difícil definir o que é criação neste caso: cada um dos elementos da obra ou a obra no seu todo? Se é verdade que uma determinada imagem literária pode ser criada autonomamente por muitas pessoas, é impossível duas pessoas escreverem o mesmo texto.

Além disso, o conhecimento bloqueia a segunda criação: se eu sei que uma coisa foi criada, já não a posso criar. (Posso apresentá-la como minha, mas deixemos agora de lado a questão do plágio, que é outra questão.) A diferente velocidade de divulgação de várias criações impede uma comparação justa da sua originalidade.

P.S. 2: Também se tenta às vezes comparar a importância de diversas criações, sejam elas descobertas, invenções ou outras. É uma empresa sem grande sentido, convenhamos, por muito que, por vezes, dê azo a conversas interessantes. Uma coisa me parece certa, porém: a importância que possa ter uma criação não tem nenhuma relação com a sua improbabilidade. Por exemplo: a descoberta da maneira de desenhar um círculo, que é altamente provável e que, por isso, foi com certeza feita independentemente por muita gente, é, ainda assim, mais importante que a descoberta da maneira de desenhar outras formas geométricas mais complexas e mais incomuns.
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 * Já uma vez aqui tinha falado de invenções múltiplas autónomas: “Tenho muitas vezes a sensação”, escrevi eu, “de que somos sobretudo lugares onde acontecem coisas. Podemos ser um lugar onde acontece uma invenção ou uma descoberta, por exemplo – que, se não acontecer em nós, acontece noutra pessoa qualquer.”