18 de novembro de 2014

O resto dos meus dias [Crónicas de Svendborg #22]

Não conto férias nem as muitas estadas temporárias, só mesmo domicílios: vivi em 27 casas em 7 países e 3 continentes (ou 4, se não se considerar a América um único continente). Mas acabou a vida de vagabundo! Tenciono passar aqui em Troense o resto dos meus dias.

Quero dizer o resto da minha vida, está claro, mas não me importava de passar aqui também os dias depois da morte. Aliás, nem isso, nem o contrário, porque não me preocupa mesmo nada onde deixar os ossos. Mas enfim, para proporcionar uma vista bonita a quem quisesse visitar os tais ossos (faz-nos bem enterrar e visitar os nossos mortos, não é?), gostava de ser enterrado neste cemitério de Svendborg.

O cemitério chama-se Assistens Kirkegård, “Cemitério Auxiliar”. Kirkegård, a palavra dinamarquesa para cemitério, é composta de kirke, “igreja”, e gård, “pátio”, “quintal” ou “quinta”, e muita gente é ainda enterrada nos cemitérios das igrejas. A minha segunda escolha para morada dos meus ossos é o cemitério da Igreja de Bregninge, que fica mais ou menos à mesma distância que o Assistens Kirkegård de Svendborg, a meia dúzia de quilómetros daqui.



A não ser, claro está, que prefiram cremar-me, o que também acho muito bem.




[É a terceira vez que aqui falo de cemitérios dinamarqueses. Já o fiz aqui e aqui.]

11 de novembro de 2014

De Novick a Gibbons, passando por Lichtenstein

No número 89 de revista de banda desenhada All-American Men of War, de Fevereiro de 1962, Irv Novick tem, na página 12 da história “The Star Jockey”, a seguinte tira:

No número 90 da mesma revista, aparece a história “Wingmate of Doom”’, ilustrada por Jerry Grandenetti. Eis a terceira ilustração da página 11:

No mesmo número da revista, na página 3 da história “Aces Wild”, ilustrada por Russ Heath, aparece o seguinte desenho:

Estas três histórias têm, todas elas, texto de Robert Kanigher e letragem de Gaspar Saladino. Com base na imagem de Novick, que adaptou colando-lhe as imagens de Grandenetti e de Heath, Roy Lichtenstein pintou em 1963 o seu famoso quadro Whaam!, que foi exibido na Galeria Castelli e depois comprado em 1966 pela Galeria Tate, de cuja coleção ainda faz parte.

Em April de 2013, o ilustrador e autor de banda desenhada Dave Gibbons exibiu no Central Saint Martins College of Art & Design, em Londres, a sua obra Whaat?:


The end?

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[Fui buscar a informação e as imagens aqui reproduzidas ao artigo “The principality of Lichtenstein”, de Paul Gravett, pelo que não se deve considerar da minha autoria esta entrada de blogue, mas apenas reorganização e tradução parcial do artigo de Gravett.]

2 de novembro de 2014

Dia de Finados #2: Saudade eterna, circular



eterna saudade,
                             prometemos em lápides. mas qual eterna!,
                             a nossa saudade é como o resto de nós:
                             dura só até gravarem o nosso nome numa lápide
                             em que nos prometem, que mania!,
eterna saudade




Dia de Finados #1: Dança quase macabra em redondilha maior

Hoje é o dia dos mortos,
que persistem, desalmados,
em corpos que já não têm
noutros corpos transformados

Hoje é o dia dos mortos,
como os dias sempre são:
dos mortos que já morreram,
dos mortos que ainda não.