22 de janeiro de 2015

O inglês em Portugal e o inglês dos portugueses

I
Em meados de Novembro último, foi publicada em jornais de vários países, uma notícia sobre a competência em inglês em 63 países em todo o mundo, 23 dos quais europeus, mas nem todos da União Europeia. Vi alguns portugueses reagiram à notícia de que Portugal era dos países onde pior se falava inglês na Europa (só a Eslováquia, a Itália, a França, a Rússia e a Ucrânia têm piores resultados) com alguma surpresa e até indignação – como é possível que digam que os espanhóis falam melhor inglês que nós? E houve quem apontasse que o estudo referido na notícia não era fiável, porque os números resultavam sobretudo de um teste voluntário em linha, feito por uma escola de línguas.

Tem a razão a crítica. Mas os resultados que apresenta não me parecem, no geral, surpreendentes por aí além. Não consegui, na pesquisa rápida que fiz, encontrar informação fiável sobre a competência em inglês como língua estrangeira na Europa e sobre qual o nível dos portugueses nessa língua. Mas encontrei alguns números que me parecem interessantes sobre o conhecimento de línguas estrangeiras em estudos da UE. Falar mais e falar melhor são, naturalmente, coisas diferentes e a informação que se segue diz, às vezes, respeito só a quantidade, às vezes a qualidade, e outras vezes às duas coisas.

Segundo o estudo da UE How many adults actually speak a foreign language?, com dados de 2007 e publicado em outubro de 2010 (UE 2010)[1], 26% dos portugueses dizem falar bem pelo menos uma língua estrangeira e outros 22% dizem ter conhecimentos básicos/razoáveis de pelo menos uma língua estrangeira[2]. Portugal está abaixo da média europeia e também da média dos outro países latinos. Portugal e a Hungria são os países onde menos adultos falam línguas estrangeiras. Estes números são confirmados em 2012, no relatório Europeans and their Languages (UE 2012)[3]. Segundo este estudo, Portugal, com 61% de pessoas que não falam nenhuma língua estrangeira, está efetivamente na cauda da UE em termos de cohecimentos de línguas estrangeiras. Só a Itália e a Hungria têm maior percentagem de pessoas que só falam a sua língua. Os portugueses, juntamente com os húngaros, são também os que menos falam duas línguas estrangeiras (só 13%). Em Portugal, as línguas estrangeiras mais faladas são o inglês (27%) e o francês (15%); em Espanha, são também o inglês (22%) e o francês (16%); em França, o inglês (39%) e o espanhol (13%); e, em Itália, inglês (34%) e francês (16%). Os franceses, apesar dos preconceitos existentes contra o seu interesse e capacidade em inglês, têm de facto uma média acima da europeia. Portugal ocupa, juntamente com a Eslováquia, o quarto lugar a contar do fundo da tabela da percentagem de pessoas que dizem falar suficientemente bem o inglês para manter uma conversa nessa língua. Além disso, e isto é também muito interessante, em Portugal, 68% das pessoas que falam línguas estrangeiras usam só ocasionalmente a sua primeira língua estrangeira. Com apenas 7% de pessoas que a usam todos os dias ou quase, Portugal tem a mais baixa percentagem de uso diário regular de língua estrangeira – é um país onde a vida decorre a bem dizer sempre em português. Portugal tem também a maior percentagem de inquiridos que nunca estudaram uma língua estrangeira (48%), seguido da Espanha (41%), e de Itália e do Reino Unido (32% cada um). Parece-me também interessante que Portugal tem de longe a maior percentagem de pessoas (32%) que, quando lhes perguntam que duas línguas estrangeiras considera mais importantes para seu desenvolvimento pessoal, respondem “nenhuma”.

Tendo em conta a história da educação em Portugal, com níveis altíssimos de analfabetismo até há meio século, pode pensar-se que estes resultados refletem resíduos dessas lacunas anteriores. Parece-me provável, até porque, mesmo nos países com maiores níveis de escolarização há mais tempo, se notam acentuadas diferenças geracionais: segundo UE 2010, a média europeia de 63% de conhecimento de pelo menos uma língua estrangeira sobe para 74% se contarmos apenas a faixa etária dos 25 aos 34 anos e desce para 47% para as pessoas entre os 55 e os 64 anos. Esta tendência é confirmada em UE 2012: 74% da população dos 15 aos 24 falam pelo menos uma língua, baixando esta percentagem para 64% na faixa etária dos 25 aos 39, para 45% dos 40 aos 54 e para 38% para as pessoas com mais de 55. Além disso, segundo o Eurobarometer survey on languages in Europe, de novembro de 2009, a classe ocupacional que mais línguas estrangeiras fala é, como seria de esperar, a dos estudantes, de que 80% falam pelo menos outra língua além da sua. Segundo UE 2012, esta percentagem é de 86%[4].

E, se além do “estudo” referido no início do texto, não conheço documentação do nível geral dos portugueses em inglês, existe um estudo do desempenho dos alunos do secundário (14-16 anos) em 14 países da UE, o First European Survey on Language Competences[5]. Segundo este estudo[6], os alunos do ensino secundário que aprendem inglês em Portugal têm, de facto, um desempenho melhor que o dos alunos franceses e flamengos (a Bélgica foi dividida em 3 comunidades) e muito próximo dos espanhóis e polacos, mas muito inferior aos dos países com melhores resultados, a Suécia, Malta e os Países Baixos, bastante inferior aos dos três seguintes, a Estónia, a Eslovénia e a Croácia, e um pouco inferior aos da Grécia, das comunidades francófona e germanófona da Bélgica, e da Bulgária.

II
Há mais coisas, porém, que gostava de dizer sobre esta questão, mesmo correndo o risco de ter de ser, às vezes, um bocadinho técnico demais para o gosto de alguns leitores. Uso, porém, uma transcrição fonética simplificada baseada na escrita do português, esperando que o que se perde assim em rigor se possa ganhar em facilidade de leitura – para quem não conheça o alfabeto fonético, bem entendido.

A pronúncia não é o fator principal de um bom desempenho linguístico, e é muitas vezes sobrevalorizado. Para dar um exemplo extremo e famoso, Joseph Conrad, que é considerado por muitos um dos grandes nomes da literatura de língua inglesa, nunca se livrou de um forte sotaque polaco, porque só começou a aprender inglês aos vinte e tal anos. A questão é que há vários tipos de desempenho linguístico em que se pode ser bom, alguns dos quais, como o de Conrad na escrita, não implicam boa pronúncia – nem pronúncia nenhuma. Conheço o caso de uma excelente tradutora de literatura portuguesa que fala pouco português. Não sei qual o seu grau de entendimento do português falado, mas, pelos vistos, entende muito bem o português escrito.

Lembro-me que li, há já uns bons anos (perdoar-me-ão não vos apresentar referência, mas foi documento que ardeu – literalmente), um artigo em que se defendia que a boa pronúncia é mais valorizada pelos falantes nativos (e não só?) que outras competências dos falantes estrangeiros. Não há, porém, razão objetiva para dizer que uma pessoa com melhor pronúncia fala melhor que outra que tenha uma sintaxe mais correta ou um vocabulário mais rico – a não ser, claro, que tenha uma pronúncia tão deficiente que seja difícil entendê-la, mas é raríssimo isso acontecer em pessoas com boa sintaxe e um léxico amplo.

Muitas vezes, também, a ideia de má pronúncia é criada a partir de um traço muito conspícuo, sem que, efetivamente, se possa falar de pronúncia especialmente má: um caso óbvio é o da ideia de que Mário Soares fala um francês péssimo, apenas porque rola os rr. De resto, a pronúncia de Mário Soares tem os mesmo erros que a pronúncia da maior parte dos portugueses, mas a maior parte dos portugueses não sabe ver isso. A maior parte dos portugueses também não sabe que há pessoas de língua materna francesa, algumas delas francesas, que também rolam os rr – mas há.

Alias, os falantes de uma língua têm, naturalmente, grande dificuldade – se não impossibilidade, a maior parte deles – de perceber que erros dão ao falar uma língua estrangeira, porque são surdos para muitas distinções fonéticas das outras línguas. Muitos falantes do português têm uma crença estranha na qualidade da sua pronúncia das línguas estrangeiras. Ora a mim, a pronúncia portuguesa nas outras línguas chama-me especialmente a atenção. É uma reação algo pateta e exagerada, mas creio que vem de ser essa a pronúncia que tenho combatido toda a vida para falar melhor outras línguas – sem, em muitos casos, a ter conseguido afastar dos meus automatismos.

Evidentemente, as características da língua materna condicionam a pronúncia das línguas estrangeiras e o espanhol e o francês dão aos seus falantes algumas desvantagens na pronúncia do inglês (e de outras línguas, claro), sobretudo a impossibilidade de encontros consonânticos do espanhol e a acentuação fixa na última sílaba do francês. Não digo que a pronúncia portuguesa do inglês não soe algo mais elegante ou menos marcada aos ouvidos dos falantes nativos que a pronúncia espanhola ou francesa. É natural que sim, embora não tenha maneira de o comprovar. Agora, a confiança dos portugueses na sua natural aptidão para a pronúncia do inglês assenta sobretudo em ouvirem o inglês com ouvidos portugueses. Eis uma lista simples dos erros típicos que eu noto na grande maioria dos portugueses ao falarem inglês:

Excesso de [z], às vezes excesso de [s]: Se a grafia não influencia a pronúncia da língua materna, influencia sem dúvida nenhuma a pronúncia das línguas estrangeiras aprendidas na escola. Assim, os portugueses tendem a pronunciar como [z] o s entre vogais e em fim de palavra e os ss depois de consoante ou duplos. Ora, se se pode confiar na grafia portuguesa relativamente à distinção entre [z] e [s]. o mesmo não acontece em inglês: muitas vezes, os ss escritos entre vogais ou no fim de palavra leem-se [s], como em house, close (advérbio), case, etc. e a grande maioria dos plurais; e há ss depois de consoante ou duplos que se leem [z], como em observe, dissolve ou dessert. Os franceses fazem geralmente o mesmo erro que os portugueses, mas os espanhóis, que não têm o som [z], pronunciam normalmente todos os ss e zz como [s], um erro que fazem também os escandinavos, pois também não há [z] em nenhuma língua escandinava.

Não pronunciar o h: Um erro típico dos falantes europeus de línguas latinas, exceto os espanhóis, que pronunciam o h como o jota espanhol[7]. Muitas vezes, por excesso de correção, os portugueses pronunciam também o h onde não devem: como sabem que têm de pronunciar o h de hate, os mais zelosos são capaz de dizer hi hate – ou até hi ate[8].

Não distinguir o chamado i breve do chamado i longo: Mais um erro que partilhamos com os falantes das outras línguas latinas – e não só. De facto, estes “ii” não são longos nem breves, mas dois sons diferentes, sendo que o i breve é mais próximo dos nosso [ê]. Mas soa mal dizer hit como heat, bit como beat ou beet, live como leave e assim por diante, não soa?

Não distinguir a de e: Porque a maior parte dos portugueses não consegue ouvir a distinção entre aquele som que fica entre o [á] e o [é] na pronúncia educada britânica ou na maior parte dos outros países de língua inglesa (em bad, por exemplo) e o [é] propriamente dito (de bed), reduzem o primeiro a [é] e pronunciam bad como bed e assim sucessivamente. E isto soa mesmo estranho. Não há jet leg, só jet lag e as duas vogais da expressão são diferentes! De facto, em muitas variantes do inglês, a pronúncia destes (e muitos!) aa é como a do [á] português da palavra , por exemplo, de maneira que este erro não se justifica: basta pensar que bad é [bád] e bed é [béd], voilá!, e dizer [djét lág] e por aí fora.

Confundir o th surdo com s e o th sonoro com d: Pronunciar they como day, etc., é um erro que também se nota muito. É certo que há falantes de muitas outras línguas que também pronunciam o th surdo, de think ou both, por exemplo, como [s] e o th sonoro de this ou they como [d] ou [z]. Agora, por muito engraçado que achemos os franceses ou os alemães pronunciarem o th como [z] (zey speak like zis), pelo menos mantêm, assim, a coerência do sistema, ao passo que quem pronuncia o th como [s] e [d] já não mantém a oposição entre a versão surda e sonora do “mesmo som” e não o distingue de [d]. O problema, para os portugueses – e não só, insisto – é que, em português europeu, o som inicial de they é uma variante do som [d] em certos contextos, pelo que não é entendido como som diferente: se ouvirem com muita atenção, os dois sons ocorrem em dado, o d de day na posição inicial e o th de they entre as vogais[9].



Pronúncia de vogais nasais: Uma coisa muito portuguesa e francesa, porque não há muitas línguas que tenham vogais nasais: em vez de dizer [tent], os portuguese dizem [tẽt], em vez de dizer [paint] dizem [pãit], em vez de [stand] dizem [stãd] e assim sucessivamente. É muito difícil livrar-se disto, é muito difícil ouvir o erro e, pela minha experiência, é um dos primeiros traços a ser comentados, quando alguém comenta a nossa pronúncia (“uma pronúncia assim nasal, um bocado francesa”.

E chega de pronúncia. Para terminar: Distingue-se agora às vezes entre inglês verdadeiro e inglês língua franca, mas as fronteiras entre os dois conceitos são difíceis de definir, se não se usar apenas o critério de ser ou não língua materna. O nível de inglês de muitas pessoas que têm o inglês como língua segunda é muito próximo do inglês verdadeiro e pode ser em muitos aspetos mais rico que o dos falantes nativos. O certo é que, à medida que se vai internacionalizando como língua de comunicação, o inglês língua franca começa a ter peso suficiente para se impor como regra alternativa ao inglês verdadeiro: há às vezes propostas de nomenclatura em inglês ou criação de expressões que depois vingam, em diversas áreas técnicas, que vêm de falantes do inglês como língua estrangeira e há diversas propostas de ensino do inglês como língua estrangeira assentes no inglês língua franca e não no inglês verdadeiro. O facto de terem de lidar desde pequenos com a sua língua falada por estrangeiros faz com que os falantes do inglês sejam melhores que os falantes de outras línguas a compreender a sua língua falada com as pronúncias, expressões e sintaxes mais diversas e mais estranhas que imaginar se possa. E dá-lhes, pelos vistos, uma humildade que nós não temos, de aceitar que venha gente de fora imiscuir-se na nossa língua. Mas eu tenho, às vezes, pena deles…

[Repito, na parte II deste texto, algumas ideias de um texto de dezembro de 2008, “Do you speak English? Atão amanda a corda!”]

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[1] Os resultados assentam em autoavaliação e não em observação ou testagem e são calculados pelo CEDEFOP com base no Inquérito sobre a Educação de Adultos da Eurostat. Esta metodologia muito simplificada deve, em princípio, produzir resultados acima dos reais, pelo que o nível real (também o número?), em Portugal e nos outros países, pode ser inferior ao declarado.
[2] Agora, quando se fala de falar línguas estrangeiras, de que línguas se está a falar? Segundo o Eurobarometer survey on languages in Europe (2009), o inglês é falado como língua estrangeira por um terço da população da UE, seguindo-se-lhe o alemão (12%), o francês (11%) e o russo e o espanhol ex æquo no quarto lugar. Em UE 2012, a situação descrita é diferente: inglês (38%), francês (12%), alemão (11%), espanhol (7%) e russo (5%). Evidentemente, há também diferenças geracionais. Como se sabe, o conhecimento do francês como primeira língua estrangeira é típico de gerações mais velhas (e não só em Portugal, onde é a língua em maior declínio, com -9% que num estudo da UE de 2005 (UE 2012)), tendo sido substituído pelo inglês nas gerações mais novas. O lugar de destaque do russo é um resíduo da União Soviética e do bloco socialista, sendo falado sobretudo por pessoas mais velhas nos países do Leste europeu. Sem querer fazer futurologia, parece-me provável que o espanhol, depois de ultrapassar o russo, venha a ultrapassar, dentro de relativamente pouco tempo, também o francês e o alemão. É isso que, tendo em conta a importância das línguas europeias à escala mundial faz mais sentido.
[3] Elaborado pela TNS Opinion & Social para as direções-gerais de Educação e Cultura, Tradução, e Interpretariado da EU, e para a Direção-Geral de Comunicação da União Europeia. É, mais uma vez, um inquérito, não um estudo objetivo, mas, principalmente nos aspetos negativos (não falar, não ter estudado, não considerar importante, falar só uma língua), não me parece provável que haja grandes exageros dos inquiridos.
[4] Há (como seria talvez previsível?) uma relação inversa da idade (a partir dos 15 anos) e uma relação direta dos anos de escolaridade com os conhecimentos de/em línguas estrangeiras: quanto mais novo se é e mais anos de estudo se tem, melhor se falam línguas estrangeiras e mais línguas estrangeiras se falam (ver quadro p. 18). Os estudantes são a classe ocupacional que mais línguas estrangeiras fala.
[5] Trata-se aqui de um estudo de competência feito com testes e não de autoavaliação em resposta a um inquérito.
[6] Ver na, página 94, um resumo dos resultados agregados das três competências testadas, leitura, escrita e compreensão oral. A produção oral não foi testada.
[7] É certo que se encontra o fenómeno de hipercorreção ao lado dos hh por pronunciar, que atestam, na literatura, o soldado Ortheris de KiplingNow I’m sick to go ‘ome - go ‘ome go ‘ome! … I’m sick for London again; sick for the sounds of ‘er, an’ the sights of ‘er, and the stinks of ‘er; orange-peel and hasphalte an’ gas comin’ in over Vaux’all Bridge. Sick for the rail goin’ down to Box’Ill, … an’ the Copper that takes you up is a old friend that tuk you up before,when you was a little, smitchy boy lying loose ‘ tween the Temple an’ the Dark Harches..»), por exemplo, ou a Eliza Doolitlle de G. B. Shaw («In 'artford, 'ereford and 'ampshire 'urricanes 'ardly hever 'appen.»), mas o que acontece com mais frequência nos falares menos educados de quase toda a Inglaterra (e só aí) é não se pronunciar o h e não pronunciar hh a mais.
[8] Os falantes do português do Brasil pronunciam o h como r gutural. Se bem que não seja a mesma coisa, é um som próximo e vale mais essa pronúncia ligeiramente ao lado que a sua ausência, acho eu. Quanto aos falantes das variantes de português africano, não sei. Creio que a maior parte dos moçambicanos, devido ao contacto com as línguas bantas, não têm problemas com a pronúncia do h, até porque há palavras de uso corrente em português de Moçambique, como mahala, em que se pronuncia o h.
[9] Também é certo que th é reduzido a [t] e [d] em vários dialetos do inglês, ou a [f] e [v], mas em nenhuma variante se transforma em [s] e [d], só quando é falado por estrangeiros.

4 comentários:

Josiel Dias disse...

Olá meus amigos, como é maravilhoso encontrar sites com este seu. Parabéns pelo belo trabalho, já estou seguindo.
Aproveitando a oportunidade gostaria de compartilhar com você nosso
blog. Ficaremos felizes por vossa visita e mais ainda se seguir-nos.

AGUARDAMOS SUA VISITA

Atenciosamente

Josiel Dias
http://josiel-dias.blogspot.com
Rio de Janeiro

jj.amarante disse...

Texto interessante, onde confirmei mais uma vez a existência de falhas na minha pronúncia pois existem diferenças referidas no texto que me passam despercebidas. Lembrei-me agora que os ingleses achavam graça à forma como misturávamos "beach" com "bitch" já para não falar de "sheet" com "shit". Lembro-me também de eu considerar que a pronúncia portuguesa era "neutra" embora distante da inglesa, designadamente na entoação, em que os ingleses terâo tendência para parecer teatrais, enquanto a espanhola era "diferente" e "não neutra". Um inglês disse-me o óbvio: que os portugueses tinham um sotaque e os espanhóis outro, não havia lugar ao conceito de "sotaque neutro".

É possível que na minha geração de engenheiros a rondar os sessenta anos se notasse uma maior familiaridade com o inglês do que espanhóis, italianos ou franceses. Dado que a literatura técnica estava ficando cada vez mais inglesa e dada a pequenez do nosso mercado de livros, enquanto nós não tínhamos acesso aos textos em português, optando pela versão original inglesa, os colegas dos outros países referidos tinham acesso às mesmas obras na sua língua.

Outro factor que facilitava a vida aos portugueses era a inexistência de dobragem dos filmes, julgo que ideia do Salazar para barrar aos numerosos analfabetos o acesso a ideias estrangeiras mais arejadas, com o efeito colateral de habituar o nosso ouvido ao som de línguas estrangeiras, principalmente o inglês. Lembro-me de o meu filho, quando ainda analfabeto, me perguntar o sentido dumas palavras em inglês que ouvia na televisão e das quais reproduzia o som.

Deve ser este tipo de nichos que leva a pensar que falamos melhor ou pior do que os estrangeiros, quando a nossa experiência pessoal é insuficiente para uma avaliação global da situação.

Vítor Santos Lindegaard disse...

Caro Josiel Dias,

Duvido, muito sinceramente, que o aqui escrevo lhe interesse. Sei que, ao contrário do que diz, não passou a seguir a Travessa e que colou o mesmo texto que aqui pôs numas quantas dezenas de outros blogues. Como sou uma pessoa simpática, não participo spam, nem lhe retiro o comentário durante 3 dias - após o que, se não disser nada...

Cumprimentos,

Vítor

Vítor Santos Lindegaard disse...

Obrigado, caro José Júlio, pelo comentário. Acho que sim, que ser obrigado a ler livros técnicos e ver filmes legendados podem ser bons auxiliares de aprendizagem do inglês. Ouvir os filmes, porém, só ajuda, sobretudo a melhorar a compreensão e a aumentar o léxico, quando já se sabe inglês, porque não se aprende sem interação: a minha mãe ou o meu pai, que viram mais filmes em inglês que eu, não aprenderam um única palavra com todos eles. Agora, além de não ajudar nada na aprendizagem de línguas estrangeiras, as dobragens de filmes que não sejam de animação, por mais bem feitas que possam ser, são para mim uma distorção inaceitável de uma obra cinematográfica, já que o ritmo e a entoação da fala são partes tão importantes do trabalho de um ator como os movimentos, a gestualidade e as expressões do rosto.