23 de janeiro de 2017

Pequenas notas sobre tu e outras segundas pessoas

«É Ego quem diz Ego» (Émile Benveniste, Problèmes de linguistique générale, 1958) 
«E é Tu aquele a quem se diz Tu» (Ego)

Nas línguas que conheço, quando desaparece a distinção, nos pronomes e formas verbais, entre um tratamento mais formal e um tratamento familiar, desaparece o tu e fica só o você. Foi o que aconteceu no inglês, no espanhol de uma parte da América Latina e na maior parte do português brasileiro.

Parece mais prático, não é?, e é o que eu ensinava aos meus alunos estrangeiros que iam para Moçambique: enquanto não tiverem uma noção clara de quem tutear, usem sempre o tratamento de terceira pessoa, mais vale ser demasiado formal que demasiado informal.

Em Portugal, a diferença só desapareceu no plural: só em poucas zonas se mantém o vós, em quase o todo o lado já só se usa o vocês. Em Espanha, o castelhano, pelo menos, mantém a distinção; ainda há um vosotros que é plural de tu e um ustedes que é plural de usted.

[Em Moçambique, já agora, o tratamento por tu/você é muito instável e observa-se com frequência que uma pessoa trate a outra às vezes por tu e outras vezes na terceira pessoa. Pode depender da situação (trabalho/tempos livres), mas nem sempre.]
  
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Usei atrás tutear. Dizemos muito mais tratar por tu que tutear e é pena, porque tutear é uma palavra bonita. Usa-se em espanhol, como se usa tutoyer em francês. O espanhol e o francês têm ainda ustear e vouvoyer, que não têm correspondente simples em português — só temos a expressão tratar por você.

 Em dinamarquês, existe a expressão være dus med nogen, «ser tu com alguém», que, além do significado original de «tratar por tu», tem um sentido mais vasto, como em português tratar por tu também pode ter («aquele gajo trata a bola por tu») e que se encontra também, em português, na expressão ser tu cá tu lá com alguém. Como diz uma célebre canção, quem trate por tu as aves e o arvoredo entende os corações que palpitam ao seu redor.

Poul Reichhardt, “Er Du Dus Med Himlens Fugle” (Erik Leth/Sven Gyldmark), 1958

    
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Quando falo aqui de tratamento por você, é ao tratamento na terceira pessoa que me refiro, não especificamente ao uso da palavra você. «Você é moço de estrebaria», costuma dizer-se — nem é familiar como tu, nem é verdadeiro tratamento de respeito, pensam alguns, e não se deve usar, pronto! Mas você — como tu ou as outras possibilidades de tratamento, aliás — é muitas coisas, conforme a circunstância e o tom. Dava um tratado, descrever em pormenor a complexidade das formas de tratamento, que ultrapassa em muito o uso das pessoas do verbo e os pronomes, nomes ou títulos que se lhes liga.

Quando conto aos meus alunos dinamarqueses que havia quem tratasse por tu os subordinados e exigsse que estes o tratassem na terceira pessoa, só os mais velhos fazem alguma ideia do que estou a falar. Mas, mesmo os mais velhos acham estranho quando lhes digo que trato por você a minha mãe, porque era assim que se fazia quando eu era miúdo e depois uma pessoa já não consegue mudar. E mais estranho acham quando explico que os filhos tratavam por você os pais e os pais os tratavam por tu. Só nas famílias de classes mais altas é que eu ouvia os filhos tratarem os pais por tu. Não sei se seria assim em todo o lado, mas era assim onde eu cresci. E, se eram famílias que se pretendiam muito finas, tratavam-se todos por você, marido e mulher e tudo. É capaz de ainda existir isso, não sei.
  
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Alguém me propunha uma vez que a criança sofre quando, depois de começar a vida sendo sempre ou eu ou tu, se dá conta de que os outros falam dela na terceira pessoa: «Afinal, também sou ela?» Não me lembro já de quem era a teoria… Conhecem-na? Parece-me algo estapafúrdia, explicada só assim, mas, se calhar, tem elementos que desconheço. Ou fui eu que inventei?

Bom, a verdade é que vi muitas pessoas a dirigirem-se a bebés na terceira pessoa, mesmo em línguas em que esse tratamento não existe para adultos:

– O bebé aleijou-se? Coitadinho, anda cá, anda cá…

Mas, sei lá, para quem fale inglês ou sueco, creio que isso de falar com alguém na terceira pessoa é mesmo coisa que só se faz a bebés e monarcas. Quando uma inglesa aprende português, fica sempre muito surpreendida quando falam diretamente com ela como se dela falassem. Tão surpreendida que pensa que estão a falar de outra pessoa:

– A Sarah já está cá há muito tempo?

«Que Sarah? De quem estará ele a falar? Espera, a Sarah sou eu… A Sarah quer dizer you…»

Só não é estranho para nós, que estamos habituados. Mas, mesmo para nós, pode ser estranho tratarem-nos por uma terceira pessoa diferente da que conhecemos. Lembro-me da primeira vez que recebi uma carta formal em italiano:

«Ela deverá confirmar, com a maior brevidade possível…»

Era a mim que aquilo se dirigia, Ella era comigo… Bom, tinha aprendido que lei, que também significa «ela», correspondia ao nosso o/a senhor(a). Mas a palavra lei é muito diferente da palavra portuguesa ela e aceitam-se melhor os seus vários significados. Ella como pronome da segunda pessoa é mais estranho para nós.
 
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 Varia muito, de língua para língua, a segunda pessoa formal: em francês e sueco, por exemplo, corresponde ao nosso vós, como já foi em Portugal, quando se falava com reis e mais gente nobre; em italiano é ela, como disse; em dinamarquês e alemão é eles

 Também há segundas pessoas, que não conseguimos decidir bem se são formais ou não, como o chamado «nós dos médicos» (a mim, soa-me a um tu paternalista, mas não sei):

– Então e que nos traz cá hoje?

E até a primeira pessoa é às vezes usada como tu  — por exemplo, em francês,  quando se diz a alguém que está a ser abelhudo:

– De quoi je me mêle, moi? («E eu em que que é que me estou a meter?»)

Agora, virando as coisas ao contrário, a forma da segunda pessoa também se pode usar para exprimir a primeira e a terceira pessoas. Tu pode ser eu

– E pronto, pá, tu chegas lá e eles começam todos a olhar para ti de lado. É claro, tu sentes-te mal. (sobre algo acontecido = «Cheguei lá e eles começaram todos a olhar para mim de lado. É claro, senti-me mal»)

… e tu pode ser um se genérico:

– Por mim, está tudo muito bem, que se alterem os horários. Agora, tu não podes é alterar os horários no dia anterior, as pessoas têm de saber com um mínimo de antecedência!
(quem alterou os horários não foi a pessoa com quem se fala = não se pode alterar os horários)

A regra geral parece ser que todos os pronomes se podem usar para todas as pessoas… ou quase.
  
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Pode discutir-se até que ponto o desaparecimento do thou em inglês, por exemplo, resulta de uma formalização das relações entre pessoas, mas o facto é que as relações entre pessoas não são essencialmente diferentes nos países de língua inglesa e nos países de língua portuguesa, castelhana, francesa e alemã em que se usam formas distintas para relações sociais mais ou menos próximas. E então, se não se marca proximidade ou distância com um pronome ou uma forma verbal, tem de se arranjar outra maneira de as marcar. Alguém me dizia uma vez que essa era uma das dificuldades do inglês: como se diz you a toda a gente, é mais difícil deixar claro se a outra pessoa é, para nós, tu ou a senhora.
  
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Também pode acontecer o contrário — que a alteração das relações entre as pessoas leve a uma alteração do uso de pronomes e formas verbais. Na Dinamarca (e a situação é, creio, quase igual nos outros países escandinavos), deitaram fora o você (De) nos anos 60 do século passado e toda a gente se trata por tu. Em mais de 10 anos de residência na Dinamarca, não me devem ter tratado por você mais de uma dúzia de vezes e foram sempre empregados de loja ou algum tipo de vendedores. Aqui trata-se o primeiro-ministro, seja lá quem for, sempre, mas sempre, por tu. Exceto a família real, claro, também não exageremos.

O resultado disto é que as novas gerações já não sabem usar o tratamento por você. Em princípio, a língua continua a ter formas pronominais para distinguir o tratamento formal do tratamento informal; mas, se esta distinção não foi interiorizada pelas novas gerações, está a tornar-se um arcaísmo, a desaparecer da cabeça dos falantes.

Um fenómeno creio que muito raro, mas, como se vê, possível: a influência direta da evolução social na evolução da língua.

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Isto as ideias são como as cerejas: uma pessoa começa a pensar em pronomes pessoais e começa a reparar em coisas em que nunca tinha reparado…

Os pronomes possessivos têm tido muita mais fortuna no discurso igualitário que os pronomes pessoais. Vi dezenas de vezes definir assim um ideal de radical igualdade, em imaginadas utopias ou em idealizadas sociedades «primitivas»: «não existe aí o meu e o teu». Mas não me lembro de alguma vez ter visto «não existe aí o tu e o você»…

17 de janeiro de 2017

A grafia como memória etimológica: duas curiosidades sobre ss e acentos circunflexos

A regra é esta: qualquer alteração na grafia, em qualquer língua, em qualquer altura, será sempre contestada.

Já desde 1990 que se deve suprimir a maioria dos acentos circunflexos no i e no u, mas a maior parte das pessoas continua a escrever como aprendeu («está bem, mas eu foi assim que aprendi, é assim que escrevo» é uma justificação frequente da não adesão a reformas ortográficas) e, de vez em quando, reaviva-se a contestação ao desaparecimento dos circunflexos. O argumento é às vezes a perda da memória etimológica: esses circunflexos assinalam o desaparecimento de um s latino.

Há quem argumente — com toda a pertinência, na minha opinião — que à maior parte das pessoas não interessa para nada a etimologia e que os que por ela se interessam não é com ortografias «etimologizantes» que a aprendem. Também se pode argumentar, porém, que essas grafias são um auxiliar do conhecimento etimológico que se adquire sem grande custo ao aprender a escrever, de maneira que é mais ganho que perda.

Não vou discutir aqui qual a melhor grafia para se aprender a escrever, até porque não domino bem o assunto. Vejo que os dinamarqueses, que têm uma grafia nem sempre muito fonética, aprendem a escrever com uma grafia artificial mais fonética («escrita de crianças») que é mais tarde corrigida — e parecem ter com isso bons resultados, ao que observo à minha volta. Mas não sei. O que sei, e é disso que quero falar agora, é que as grafias etimológicas, além de terem sido elas próprias muitas vezes introduzidas rompendo com a evolução natural da escrita, nem sempre são realmente etimológicas. Dou-vos dois exemplos, dos muitos que podia dar, dessas grafias etimoilógicas, como eu lhes chamo, porque de lógicas não têm muito.

Boite vem do latim buxida, que deu buxita, que deu bustia, bostia, boiste e boîte. Então, ao contrário do que muitas vezes se diz, o acento circunflexo de boîte não assinala(va) o desaparecimento de um s etimológico, mas apenas o desaparecimento de um s que houve numa determinada fase da evolução da palavra. De facto, ortografias conservadoras como a do francês não são etimológicas em sentido estrito (e existirá tal coisa?), mas muitas vezes refletem antes maneiras antigas de pronunciar as palavras — de várias épocas misturadas… E convém esclarecer, já agora, que a escrita parou numa época, há muitos séculos, em que se dizia /boite/como se escreve, mas, como sabem, a palavra continuou a evoluir: passou a dizer-se /buete/ e depois a /buate/, como se pronuncia agora.

Já em île, o acento circunflexo marca(va) mesmo o desaparecimento do s que tinha havido no latim i(n)sula. Agora, porque acharão os defensores das marcas etimológicas que se deve assinalar o desaparecimento do s latino e não o desaparecimento do u latino, por exemplo? É estranho. Aliás, não é só impossível definir o que se há de conservar do étimo, como é impossível definir o próprio étimo: as palavras latinas também têm uma história, não foram criadas do nada. Mesmo que, para simplificar, tomemos como étimo as primeiras formas escritas, a coisa é complicada: o étimo de boite passa a ser grego (πυξίς) e põe-se mais uma questão às preferências etimológicas: que escrita etimológica se deve ou pode usar para o que vem de outros alfabetos ou de outros sistemas de escrita?

Mas enfim, deixemos isso, tenho a certeza de que, chegados aqui, os meus leitores estão já mais que convencidos de que isso da grafia etimológica é uma grande confusão… Em île, dizia eu, o acento circunflexo assinala que houve ali um s que desapareceu da escrita e da pronúncia. Já no inglês isle, que vem do francês, o s nunca desapareceu… da escrita. Agora, o mais curioso é que island, que se pode relacionar semanticamente com isle, tem um s etimologicamente injustificado. A forma que deu island, igland, não tem s nenhum, mas alguém achou por bem ir buscá-lo a isle e acrescentá-lo à palavra, só para enfeitar... É de notar, já agora, que o isle inglês foi ile antes de ser isle, porque foi assim que foi importado do francês, numa altura em que as grafias il(l)e e isle coexistiam. Quando os franceses resolveram fixar, no séc XVI, a grafia com aquele bonito s, os ingleses acharam por bem imitá-los. Depois, os franceses substituíram o s por um acento circunflexo no i, mas os ingleses preferiram manter o s. Uma bonita história, não é?

15 de janeiro de 2017

Este deu-me a Isabel nos meus anos

Descobri agora que uma compilação dos singles dos Cure comprada em La Paz, tinha, no próprio CD, marcas de negro de fumo do incêndio no nosso apartamento em Copenhaga em 2001. E eu a pensar que, exceto em meia dúzia de documentos que tivemos de guardar com páginas enegrecidas, nos tínhamos livrado de todos os vestígios físicos do fogo. Os incêndios deixam mais marcas do que nós pensamos à primeira. Ainda hoje, passados 12 anos, damos connosco às vezes a perguntar-nos onde teremos guardado isto ou aquilo, para concluir depois de alguma reflexão que o tal objeto não está guardado em lado nenhum — foi no incêndio... Mas esta descoberta fez-me pensar noutra coisa: alguns dos meus CDs têm uma história. Ou mais que uma como neste caso.

Para as novas gerações, o suporte natural da música é o computador, o tablet, o telefone ou essa vaga e gigantesca rede de computadores chamada Internet. Já não consideram natural que uma obra musical tenha um suporte individual, independente, como seja um disco, vinil ou CD, ou uma fita magnética, cassete, cartucho ou bobina. Não tomem esta nota por expressão apenas de conservadorismo. Qualquer pessoa que, como eu, se interesse muito por música e oiça muita música encontra inúmeras vantagens nos formatos digitais sem suporte físico próprio. Mas têm também duas desvantagens, acho eu: o digital não serve bem de presente e não é bom objeto de coleção.

Não tenho números disponíveis e uma reflexão assim, que não se baseia em nada mais objetivo que as minhas impressões, tem pouco ou nenhum valor; mas, tenho a ideia de que uma percentagem não desprezível das obras musicais era comprada para oferta ou, mais ou menos explicita e conscientemente, como objeto de coleção. É claro, ainda se fazem CDs e vinis (cada vez mais vinis, aliás), que podem bem satisfazer as necessidades dos colecionadores. Mas a preponderância do digital não promove, creio eu, o surgimento de novos colecionadores. Quanto ao resto, que pena que é receberem-se cada vez menos discos de prenda de anos...

Georgie Fame: "Vinyl", de Three Line Whip, 1995

8 de janeiro de 2017

Funcionalismo de tijolo amarelo [Crónicas de Svendborg #24]

Nasci em Lisboa, entre a Graça e Santa Apolónia, e, por isso, o funcionalismo* é, para mim, o estilo arquitetónico mais natural. Mas não há funcionalismo de tijolo amarelo em Lisboa. Bom, a cor do tijolo é um pormenor relativamente secundário num edifício. Ou, mesmo que não seja, não é por ser ou não de tijolo amarelo que gostamos de uma casa. A verdade, porém, é que dou por mim muitas vezes a achar bonitas casas de tijolo amarelo, que querem?, e achei que era bom tema para um artigo de blogue, voilà!

Encontrei no blogue A/DRIFT IN DK, de Ann Priestley, um distinção entre «dois estilos principais» de funcionalismo dinamarquês «no período entre as duas grandes guerras» (traduzo eu). Há:
Edifícios mais parecidos com os que se encontram fora da Dinamarca, muitas vezes em estilo cubista branco com coberturas planas, experimentando o betão e outros materiais novos (...), o funcionalismo internacional, (...) [e] edifícios que integram as tradições e materiais dinamarqueses, utilizando tijolo e telha (...), o funcionalismo internacional, muito mais divulgado.

Vale a pena ler todo o artigo, "Bauhaus in Denamark: it's funkis", bem como outro artigo sobre o funcionalismo dinamarquês, "Landmarks: the modern house in Denmark". Para ilustrar o funcionalismo nacional, Ann Priestley escolhe um edifício que sempre me encantou — de tijolo amarelo.

Virum Torv 2/Frederiksdalsvej 7. Foto de Ann Priestley, com autorização da autora (ver em Google Maps Street View)  
Não consegui descobrir quem o desenhou. Aliás, não consegui descobrir quem desenhou nenhum dos prédios que aqui mostro a seguir. Não são obras marcantes, notem, e nem forçosamente funcionalistas, apenas edifícios de tijolo amarelo com que me cruzo no meu dia-a-dia e que acho bonitos.

Søndre Boulevard 80, Odense. Foto minha (ver em Google Maps Street View)



Valdemarsgade 46,  Svendborg. Foto minha (ver em Google Maps Street View)

Sirenvej 53, Vindeby. Foto de Google Maps, ligeiramente tratada (ver em Google Maps Stret View)



A biblioteca de Svendborg, Svinget 1, vista de Viebæltet. Foto minha. Não se vê toda a extensão do edifício (ver em Google Maps Street View)

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Agora, uma coisa que não tem nada a ver com isto: um senhor chamado Mark Forsyth diz que, em inglês, uma sequência de múltiplos adjectivos «tem absolutamente de seguir esta ordem: opinião-tamanho-idade-forma-cor-origem-material-finalidade». Se não o fizer, a frase soará errada, embora os falantes da língua não saibam explicar porquê (leiam aqui: ) Será o mesmo em português? Mas, e se for, que tipo de qualidade é funcionalista? Não parece estar na lista… É que hesitei um bocado no título: primeiro, queria qualificar o tijolo com dois adjetivos, mas, como não conseguia decidir se me soava mais natural «tijolo funcionalista amarelo» ou «tijolo amarelo funcionalista», resolvi dar a volta à coisa. (Smile, smile)

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* Ou modernismo, se preferirem. A distinção entre os dois termos, ambos muito abrangentes, parece não ser clara, e ainda menos para mim, que não sou especialista em arquitetura, mas é funcionalismo que se usa aqui na Dinamarca para designar este tipo de arquitetura de que aqui falo.

Um amigo meu dinamarquês, que é arquiteto, disse-me uma vez que nunca ouviu falar de modernismo na Dinamarca até aparecer o pós-modernismo: «É claro, como tinham um pós-modernismo, tinham de ter um modernismo; e então começaram a designar como modernistas as coisas que nós sempre conhecemos como funcionalistas.»