26 de fevereiro de 2009

Um paraíso liberal

Flora vai ao banco levantar o vencimento. Recebeu um cheque em dólares americanos. Quando chega à caixa, é informada de que o banco, infelizmente, está sem dólares naquele momento, mas que, se ela quiser, pode levantar o cheque em meticais. Flora quer saber qual é a taxa de câmbio do banco e o rapaz da caixa diz-lhe que é cerca de 25 meticais por dólar, e que depois tem de pagar mais uma taxa que o banco cobra pela operação.

“Você acha que eu vou aceitar esse preço, responde Flora, quando é só sair a porta e pagam-me 27 ou mais?”

É a pura verdade. No jardim em frente ao banco estão os rapazes todos que trocam dinheiro no mercado negro. Hoje em dia não há grande diferença entre o valor das divisas no banco e no mercado negro, mas 27 meticais por dólar ela consegue de certeza.

“Iá, tem razão, diz-lhe o caixa, mas se quiser a 27 meticais por dólar eu também lhe troco a esse preço.”

Uma história real e fresquinha, passada hoje. Não sei como não se mudaram para aqui todos os libertarianistas e outros liberais radicais: se há país onde o mercado impera e o estado não existe, como eles acham que deve ser, esse país é Moçambique.

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