Já uma vez aqui o disse, mas quero agora insistir e desenvolver: essa moda que há agora de defender que as frases negativas só podem ter uma palavra negativa (não, nada, nenhum(ns)/a/as) é simplesmente sem muitos pés nem muita cabeça. Ao contrário do que pretendem alguns (realço com negrito todas as palavras negativas),
− Não fiz nada
não quer dizer «fiz tudo» e a forma correta de negar toda a atividade não é nem
− *Não fiz alguma coisa,
que soa a barbarismo, nem
− Não fiz tudo,
que obviamente significa outra coisa.
Ao contrário do que pretendem outros
− *Vi nada ou
− *Conheço aqui ninguém
são simplesmente frases mal construídas.
Falar e escrever assim é um erro. E não é erro no sentido em que muita gente usa a palavra de «não conforme com a norma culta», até porque eu não escrevo textos a criticar esse tipo de «erros». É erro no verdadeiro sentido da palavra: essa construção não existe em nenhuma variante, seja ela regional ou social, da língua portuguesa; a não ser, claro está, nos últimos tempos, depois de se ter começado a espalhar a ideia estapafúrdia de que a dupla negativa é erro. Começa-se, aliás, a ver essas construções em textos de pessoas que até escrevem bem — o que é bastante interessante, para refletir sobre como se espalham estes fenómenos de pretensa correção...
O argumento usado para defender estas construções estranhas ao português é pretensamente lógico: duas negações cancelam-se mutuamente, portanto de duas negativas resulta uma positiva:
− Não vi nada
significaria, assim, «vi alguma coisa» e
− Não conheço ninguém
significaria «conheço alguém». Este argumento «lógico» é falacioso, como explicarei mais à frente, e o que eu creio que está por trás dessa recente tomada de consciência de, ai!, uma tão grande falha de lógica! é antes do inglês, cuja norma culta não aceita duplas negativas.
Em inglês padrão (e noutras línguas germânicas) não é obrigatório um termo negativo antes do verbo em frases negativas e usam-se determinantes, pronomes e advérbios específicos depois do verbo, consoante se tenha ou não usado a partícula de negação antes. Assim, segundo essa norma
− I didn’t see nothing (palavra a palavra, um pouco simplificado: «Eu não vi nada»)
é errado, devendo antes dizer-se
− I didn’t see anything (palavra a palavra, um pouco simplificado: «Eu não vi qualquer coisa») ou
− I saw nothing (palavra a palavra: «Eu vi nada»)[1].
Mas não é o inglês que aqui me interessa, é antes a maneira como se pretende aplicar esta norma ao português. Algumas pessoas, sem grande ideia de como diferentes línguas podem funcionar de diversas maneiras, consideram que a língua deve obedecer ao que eles consideram lógica — algo de que a norma culta do inglês seria bom exemplo — concluindo que as línguas latinas devem seguir o mesmo modelo.
Vejamos então a questão da lógica. Não se pode dizer que as línguas naturais não sejam lógicas, mas a lógica das línguas é diferente da lógica matemática e de outros tipos de lógica. Essa diferença pode ilustrar-se com exemplos simples e, como não me quero alargar muito sobre o tema, deixo-vos um dos mais óbvios: existem na língua muitas aparentes tautologias, que têm, na realidade, um significado bem diferente de x=x — embora nem sempre seja fácil, mesmo para os especialistas, explicar esse significado. Todos os falantes do português intuem que uma frase como «essa é que é essa» quer dizer algo, mas como descrever o que significa? O mesmo se passa com «um homem é um homem» ou «Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque» ou a famosa frase «um gato é um gato, um cão é um cão, xxxxx é aquilo que os outros não são» (perdoem os xx, mas não quero fazer aqui publicidade...). Uma transcrição desta última proposição que fosse feita hipoteticamente por quem diz que duas negativas dão forçosamente uma positiva poderia ser x=-(-x), o que evidentemente não é de modo nenhum o que a frase diz, até porque, se o dissesse, não seria usada em publicidade...[2]
Enfim, haveria uma número muito grande de exemplos a dar e muito mais a dizer sobre estas coisas, que são muito interessantes, mas não é essa a intenção do texto. O que eu quero é deixar claro que a lógica da língua não é imediatamente acessível a quem atribua simplesmente um valor determinado a cada forma linguística, em vez de se dotar de instrumentos eficazes para descrever o que se passa de facto quando criamos significado.
Além disso, mesmo para quem insista na lógica matemática, poder-se-ia argumentar, como eu já ouvi a alguém, que as línguas de concordância negativa também têm uma lógica matemática, só que, em vez de ser a da multiplicação, como as línguas germânicas, é a da adição: em inglês é menos por menos dá mais, em português é menos mais menos dá menos. Está bem assim?
Mas passemos à negativa e à negação. As diversas línguas têm várias maneiras de construir frases negativas. Há línguas em que é obrigatória uma negativa antes do verbo e outras em que não, línguas em que a negativa ocorre quase sempre depois do verbo, outras em que é expressa por uma forma flexional no verbo, etc. Não há nenhuma mais ou menos lógica que outras, todas servem para exprimir as mesmas proposições[3].
Há, pois, línguas em que, como já vimos, a dupla negativa cancela a negação, usando-se geralmente, neste caso, palavras não negativas como objetos do verbo ou com os objetos do verbo, quando este é negado. Estão neste caso, para referir apenas as línguas mais próximas da nossa, a variante padrão do inglês e a maioria das línguas do mesmo grupo, as chamadas línguas germânicas, como o alemão, o neerlandês, o dinamarquês, etc.
Há outras línguas em que, nas negativas, uma palavra negativa pré-verbal convoca outras palavras negativas também após o verbo: o que se designa como concordância negativa ou negativa enfática. O português é uma das línguas em que se observa este fenómeno (e não há razão nenhuma para deixar de o ser, sim?).
Não quero dar-vos aqui uma lista extensiva das línguas com concordância negativa, até porque não quero dar exemplos em africâner ou farsi, mas podemos ficar-nos pelas línguas mais próximas e mais fáceis de compreender. As línguas latinas têm, em geral, esta característica[4], de maneira que, em castelhano, catalão e italiano tudo funciona como em português. O francês oral moderno é diferente, porque, como desapareceu a partícula ne, não tem obrigatoriedade de negativas antes do verbo, mas o francês padrão escrito (ou falado em situações formais) faz também parte deste grupo.
Assim, as frases
– Não vi nada. Não conheço aqui ninguém
dizem-se, nestas línguas,
− No he visto/ví nada. No conozco aquí a nadie,
− No vaig veure res. No conec ningú aquí e
− Non ho visto niente/nulla. Non conosco nessuno qui.
Em francês oral, é diferente (J’ai rien vu. Je connais personne ici), mas, em francês escrito, a estrutura é a mesma que nas outras línguas românicas:
− Je n’ai rien vu. Je ne connais personne ici.
E porque é assim nas línguas latinas? Era já assim em latim? Não. Em geral, em latim clássico, as duplas negações resultavam numa afirmação, embora haja alguns escritores clássicos que usassem duplas negativas (Plauto: Iura te non nociturum esse homini de hac re nemini, «Jura que não farás, por isto, mal a ninguém.»).
É interessante constatar que muitas das palavras negativas usadas hoje nas línguas latinas não são as palavras negativas latinas (nemo, nullus, nihil...) e nem sequer são, na origem, palavras negativas. Em português e castelhano, por exemplo, nada vem de [re(s)] nata, «[coisa] nascida»; nadie, «ninguém», em castelhano, vem de nati, «nascidos»; rien, em francês, res, em catalão, e ren, em galego, «nada» vêm de diferentes declinações de rēs, «coisa»; personne, «ninguém», em francês, vem de persona, «pessoa», aucun vem de aliquī unus, «alguém, qualquer pessoa, algo, qualquer coisa», pas vem de pas, «passo», etc. Seria abuso, porém, considerar que a dupla negativa é apenas uma forma cristalizada de palavras originalmente não negativas («não vi nada = não vi coisa nascida [coisa existente]»), porque algumas das palavras negativas, como ninguém em português e nunca em português e castelhano, são negativas à partida. Além disso, uma palavra como nada já não tem hoje, nenhum significado não negativo.
O único caso em português que não é originalmente uma dupla negativa e que se pode considerar inalterado desde há muito tempo é o de nenhum/ns (a/as), que é de facto sempre substituível pela expressão que llhe dá origem, nem um/ns(a/as)e que há até quem (muito poucas pessoas, eu sei, mas conheci algumas) continue a pronunciar exatamente como nem um.
Mas, enfim, a verdade é que não é necessário saber porque é que um fenómeno linguístico é como é para constatar que ele existe. E a dupla negativa é um facto inegável nas línguas latinas desde sempre.
Agora, a minha experiência é que, em geral, é difícil argumentar com pessoas que defendem a estranha ideia que aqui critico, porque não se interessam muito por questões de língua, apenas por impor uma regra que decidiram adotar, vá lá saber-se porquê – até porque ela não figura em nenhuma gramática normativa que eu conheça. Contra essa tão rígida convicção, mesmo a apresentação de abonações de escritores considerados modelares no uso do idioma pode ser infrutífera. Uma vez, quando, após uma busca de poucos minutos, apresentei abonações de duplas negativas por Camilo Castelo Branco, Ramalho Ortigão e Luís de Camões, o meu interlocutor rejeitou-as como erros dos escritores.
Mas, como se trata aqui de insistir, agora, em dois ou três minutos, encontro, nas Viagens na minha terra, de Almeida Garrett,
«O meu novelo, filha: não posso estar sem fazer nada, faz-me mal.»
«Mas eu não tenho ódio nenhum a Vila Franca, nem a esse famoso círio que lá foi fazer a monarquia.»
« … porque Addison não põe nada acima da modéstia»
«… depois desta desgraça não me importa já nada»
« Mas não viu nada: o nobre Marquês sempre soube esconder o seu jogo.»
N’Os Maias, de Eça de Queirós, encontro imediatamente
«Nenhum desejo forte parecera jamais vibrar naquela alma meio adormecida e passiva»
«– Sem contar que o pequeno está muito atrasado. A não ser um bocado de inglês, não sabe nada... Não tem prenda nenhuma!»
«– O Sr. Baptista não tem gosto nenhum!»
«Não inspira nenhum respeito pela minha ciência.»
«Carlos não sabia, essa manhã não vira jornal nenhum.»
− Então não lhe digam nada – gritou o marquês.»
E podia continuar com muitos mais citações destas duas obras e de todas as obras de todos os grandes escritores da língua portuguesa, porque, neste tipo de frases, a dupla negativa é tudo o que há — fora talvez de certas liberdades poéticas que eu não me lembro de ter alguma vez encontrado... Continuo a pedir a quem critique a dupla negativa que me apresente abonações do uso que consideram correto por bons utentes da língua. Até hoje, nunca ninguém me mostrou nem uma frase que fosse (ena, tantas negativas!) de um grande escritor que tivesse escrito algo do estilo de
– *Uma pessoa não aprende alguma coisa ou
– *Uma pessoa aprende nada,
em vez de
– Uma pessoa não aprende nada…
Já agora — mas porque insistes tu, Vítor, porque insistes tu? — note-se que «uma pessoa não aprende alguma coisa» até é uma frase possível, num contexto como
– Se aprendi alguma coisa com a minha professora? Ora, com uma professora como ela, uma pessoa não aprende alguma coisa, uma pessoa aprende tudo o que há para aprender!.
Da mesma forma, «uma pessoa aprende nada» também é possível, num contexto bastante Zen como
– Com a paragem do diálogo interno, uma pessoa aprende nada, aprende vazio, aprende essência sem substância, a comunhão com o Todo pela anulação da Mente...
Não há nada impossível. Se for mesmo isto que se quer dizer...
E a propósito, nesta frase do parágrafo anterior,
– Não há nada impossível,
pela tal lógica matemática, deve cortar-se não e im-, que se anulam, e escrever
– Há nada possível?
E já agora, mais algumas perguntas aos detratores da concordância negativa:
– Mais do que nunca, sinto-me incapaz de não dizer senão a verdade
é uma frase negativa ou positiva? Eliminando a concordância negativa, como ficaria? E
– Não haverá nunca ninguém que não deixe de se pronunciar sobre coisas de que, por não ter pensado nelas o suficiente, não sabe que chegue para não dizer disparates?
E
– Não duvido que haja quem não tenha nunca pensado no que eu o escrevo, senão não o escrevia ?
Na frase
– Não creio que ela saiba nada de negativas,
aceita-se a concordância negativa porque o escopo das negativas é diferente nos dois casos (eu não creio e ela não sabe)? E, se não se aceitar, qual é a lógica disso, se só há uma negativa para cada verbo?
– Se escrevermos as palavras «absolutamente nada» de trás para a frente, obtemos «adan etnematulosba», o que não significa absolutamente nada.
Como se escreve esta frase com a norma de eliminação da concordância negativa?
Esta última era a brincar, embora fosse a brincar a sério. Deixei-me levar, não liguem. E notem, porém, que não sou radical ao ponto de recusar construções como (é o que faz o Dicionário Huaiss)
– Embora ferida, não recebeu qualquer ajuda da polícia,
considerando que, em bom português, tem de se escrever
– Embora ferida, não recebeu nenhuma ajuda da polícia;
e nem sequer recuso frases como
– Não estou de forma alguma disposto a pactuar nesta questão,
que alguns puristas consideram galicismo, achando que, em português correto, se deve dizer e escrever
– Não estou de forma nenhuma (ou nenhuma forma) disposto a pactuar nesta questão.
Acho que são construções perfeitamente consagradas pelo uso, ao contrário das que aqui recuso.
Por fim, mais como digressão que conclusão, uma perspetiva diacrónica: naturalmente, a maneira como as línguas exprimem a negativa vai também evoluindo ao longo do tempo. E fá-lo segundo determinados padrões que resultam da diminuição da intensidade articulatória das partículas de negação ao longo dos tempos ou da criação de formas enfáticas de negação que acabam por se tornar as formas standards. Esta proposta de evolução cíclica, mais conhecida na versão do linguista dinamarquês Otto Jespersen, assenta na constatação de uma sucessão de fases que se observa em muitas línguas:
(I) partícula negativa seguida de verbo;
(II) partícula negativa seguida de verbo e de segunda partícula negativa; e
(III) verbo seguido de partícula negativa.
Roy Bualuan faz aqui (infelizmente só em inglês) um excelente resumo deste «ciclo de Jespersen».
Quase todas as variantes do português estão atualmente na fase (I), com eventuais construções do tipo (II) para ênfase, como
– Ele não come nada, é um pisco,
que não significa que a pessoa em questão não ingere alimentos em absoluto, senão já estaria morto, mas entende-se antes como «ele come muito pouco».
A fase (II) observa-se em variantes brasileiras com o redobro do não após o verbo, como em
– Não sei não,
além de cadeias de concordância negativa, claro;
E, embora com menos frequência, observam-se também construções da fase (III), com um único não posposto ao verbo em variantes não-standard brasileiras:
– Dona Rute, aqui na rua? Conheço não, amigo.
E, por agora, não tenho mais nada a dizer.
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[1] Note-se que, embora não sejam termos negativos, any, anyone, anything, etc., não são termos positivos como o são some, someone, something, e não se usam apenas no escopo de um verbo negado, mas também no escopo de certos verbos não negados como em «he doubted he had seen anyone» — e não «he doubted he had seen someone» *«I did’t see something» é tão agramatical como a frase que diretamente lhe corresponde em português, *«Eu não vi alguma coisa».
[2] Vejamos então, seguindo um raciocínio lógico, o que se passa quando digo, por exemplo, que
− A minha cadela está farta de saber que não pode trazer os ossos que lhe dou no quintal para dentro de casa, mas insiste, insiste, insiste sempre — não sei para quê, porque eu ponho sempre os ossos lá fora outra vez…
e a minha interlocutora comenta
− O que é que querias? Um cão é um cão, pá!
O que acontece é que uma mesma palavra pode significar várias coisas, por exemplo, referir um ser do mundo real ou a classe de todos os seres do mesmo tipo ou as características que o falante atribui a esse tipo de ser. O que a minha interlocutora diz, obviamente, é que «uma característica da espécie que não pode deixar de se aplicar ao teu cão é querer guardar os ossos no seu território e contra isso não há nada a fazer». As duas ocorrências da palavra cão têm, na sua resposta, significados diferentes.
[3] Há quem considere também que há dupla negativa nas frases em que um dos elementos da predicação nega a negação da predicação, como em «isto não está incompleto», em que «incompleto» significa «não completo». Creio que, neste aspeto, todas as línguas funcionam da mesma forma. Neste caso, há dupla negação, o que resulta numa afirmação, mas é duvidoso que haja dupla negativa em sentido estrito. Se admitirmos que «incompleto» é «não completo» e que, por isso, há duas negações na frase, como muitas palavras têm antónimos, mais ou menos perfeitos e mais ou menos graduáveis, teremos de admitir que há dupla negativa em (i) frases como «esta folhagem não é caduca» ou «ele não está morto» (mas como se determina qual é o valor não negado em pares de adjetivos como «caduco» e «perene» ou «morto» e «vivo»?); (ii) em frases como «ele não é imberbe», por muito que «berbe» não exista; e (iii) em frases sinónimas da frase com a pretensa dupla negativa, por exemplo «isto não está por terminar» em vez de «isto não está incompleto» — e acho que ninguém o faz…
[4] Há até línguas em que tradicionalmente se usam, sobretudo no discurso mais formal, duas negativas antes do verbo em contextos específicos:
– Nada é gratuito, tudo tem um preço e ninguém pode negar que me esforcei
diz-se, em catalão e francês, respetivamente,
– Res és gratuït, tot té un preu i ningú pot negar que m’hi he esforçat e
– Rien est gratuit, tout a un pri et personne peut nier que j’ai fait un effort,
mas também se pode dizer e escrever (alguns puristas dirão que se deve...)
– Res no és gratuït, tot té un preu. Ningú no pot negar que m’hi he esforçat e
– Rien n’est gratuit, tout a un prix. Personne ne peut nier que j’ai fait un effort.
O mesmo fenómeno existia em português medieval, em que se documentam frases como «nehūu nō scapou nen nehūa cousa que na vyla ouvesse» e também em inglês médio (Chaucer: «He nevere yet no vileynye ne sayde», palavra a palavra: «Ele nunca [ainda] nenhuma vilania não disse»).
Observa-se, curiosamente, uma construção parecida no português de Moçambique, que, não sendo ainda considerada standard, talvez se venham a fixar: em frases iniciadas com nem, com o sentido de «nem sequer», coloca-se um segundo não antes do verbo: «nem dinheiro para o chapa não tenho».

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