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10/09/26

Restos, receitas e improvisos, e um bocadinho de weblog [Crónicas de Svendborg #56]


Não é que tenha alguma coisa contra receitas, que não tenho. Muitas vezes, aliás, se improviso uma comida qualquer que me sai bem, faço um esforço para me lembrar exatamente do que fiz e repito; e, se praticamente nunca me dou ao trabalho de escrever o processo e as quantidades, acaba por se tornar uma receita. No fundo, é o que faz qualquer pessoa que improvisa, seja o que for: reutiliza o que lhe agradou.  Mas em uma pessoa tendo um repertório razoável de processos e combinações da sabores e texturas, as receitas bem podem ser mais a exceção que a regra. Uma coisa que só raramente faço é comprar ingredientes para este ou aquele prato. Prefiro ver o que encontro que me agrade, em preço e qualidade, e ponderar depois como combinar o que comprei. E há casos em que um prato pode surgir inesperado de restos imprevistos.

Por exemplo: No outro dia, recebemos amigos cá em casa e tínhamos, de entrada, uns mexilhões, que abri com bastante alho, bastante pimenta preta (é muito raro usar pimenta branca) e um bocadinho de vinho branco. O prato principal era pescada com um molho simples de chalotas, manteiga, caldo de peixe e natas. E ficou bastante molho, de maneira que, ao tirar a mesa, o juntei ao caldo que tinha ficado dos mexilhões e pus no frigorífico (como faço com todos os restos que tenham sabor, nem que seja só água de cozer legumes), porque podia servir para qualquer coisa. 

No dia seguinte, apanhámos algumas coisas da horta: funcho, batatas, as primeiras cenouras, o resto das acelgas, que já floriram e que, por isso, já não dão mais folhas, e curgetes, que estão também a chegar ao fim da época. Agora, é deixar alguma crescer e depois guardar as curgetes gigantes, do tamanho de abóboras, ali na oficina, quando o frio chegar. Aguentam bastante tempo e são boas sobretudo para sopas.  

E pensei: uma sopinha, é isso mesmo, uma sopinha –– só com hortaliça do quintal! Pus a refogar funcho e cebola picados, cenoura ralada, curgete e batata cortadas em cubos muito pequenos. À parte, cozi as acelgas na frigideira, sem água, só no sumo que iam largando, com muito pouco sal e cortei-as depois em bocados grandes. Quando a batata estava quase cozida, juntei àqueles legumes todos refogados a tal mistura de água de mexilhões com o resto do molho do peixe. Tive de lhe acrescentar só um bocadinho de nada de água. Juntei as acelgas, deixei apurar até os bocadinhos de batata começarem a desfazer-se ligeiramente, juntei-lhe um miolo de mexilhão congelado e uns camarõezinhos daqueles muito pequeninos já descascados (aqui, chamam-lhe camarão da Gronelândia) e pronto. Não inventaram ainda a maneira de pôr cheiros e sabores online, de maneira que vão ter de me acreditar: estava muito bom! 

Como receita, isto é capaz de não valer grande coisa, mas acho que, se quiserem experimentar uma coisa parecida e sem terem os restos que eu tinha, conseguem um sabor semelhante com um bocado de caldo de peixe ou marisco e um bocado de nata.

Quanto ao quintal, começa agora uma fase nova, sem acelgas nem curgetes nem feijão verde, nem groselhas e framboesas. Também apanhei ontem os últimos funchos. Floriram antes de tempo, por causa da falta de água durante a maior parte do verão e pouco se aproveita deles. Tinha acontecido o mesmo a uma parte das cebolas, mas a maioria saiu bem. Na terra há ainda batatas, alho francês, tupinambos, beterrabas e cenouras. E ainda há feijão e couve. E maçãs por todo o lado. A ver se amanhã apanhamos as maçãs todas (menos as mais tardias, que ainda estão verdes) e as vamos levar à fábrica de sumo. E a vocês, como vos corre a vida?

Muita gente se queixa que é difícil cultivar coentros.
Para nós, o que é difícil é dar-lhes vazão...



12/05/26

A idade, mais uma vez


Toda a gente sabe: quando se vai para a idade, como se costuma dizer, é muito importante manter o exercício, a atividade, a jovialidade e sobretudo a vida social. Mas também toda a gente sabe que é inevitável a perda de capacidades. É assim a vida. Uma pessoa pode continuar a pensar de forma bastante organizada, não ter falhas significativas de memória, fazer sem problema 20 km a pé, mas, sei lá, um dia vê-se aflita para montar um interruptor num candeeiro de mesinha de cabeceira, só porque os parafusos são pequenos e o espaço de manobra é pouco, nunca tal lhe tinha acontecido... A motricidade fina já não é o que era. E quem diz a motricidade fina diz a memória processual, e a força muscular e a vista e… seja lá o que for, varia um pouco de pessoa para pessoa. O que importa é que a pessoa o reconheça.  E que, se a perda de capacidades implicar algum perigo, se torne mais prudente. 

O meu trabalho em apoio domiciliário ensinou-me que uma grande parte dos acidentes domésticos graves de pessoas idosas resultam da teimosia de continuarem a executar as tarefas diárias como sempre fizeram — quer se trate de aparar sebes ou de sacudir os edredões… Há 15 anos que a minha mulher, de casa para o trabalho e do trabalho para casa, faz a autoestrada a 130 km/h. Decidiu agora que chegou a uma idade em que não deve ultrapassar os 110 km/h. Parece-me muito bem.


Imagem: Briton Riviere: O velho jardineiro («The old gardener»), 1863, pormenor. Wikimedia commons, daqui. 


15/12/25

Dormência, hibernação

Ainda não houve este ano, aqui na Fiónia, nenhum dia de temperaturas negativas, nem isso é necessário para se sentir o peso todo do inverno. A escuridão marca o inverno mais que o frio.

Lá fora no quintal, está tudo preparado para hibernar. Já podei as árvores e já cobrimos a horta com um plástico que nos evita, quando a vida retorna à terra, muita erva daninha.  





16/10/25

Weblog: 15 de outubro de 2025 [Crónicas de Svendborg #53]

[Dizem-me várias definições de blogue que, no início, os weblogs, eram sobretudo diários online.  Este blogue, que já nasceu tarde, raramente o tem sido. Mas hoje é. Mais ou menos…]

E eis-nos no fim da primeira quinzena de Outubro. O frio ainda não chegou, mas de manhã, às vezes, já calço luvas quando vou de bicicleta para o trabalho. Já está escuro de manhã quando saio de casa às seis e meia, mas ainda é de dia quando a Karen chega a casa às cinco. Para ser mais concreto, o sol nasceu hoje às 7:48 e vai pôr-se às 18.17 e temos hoje 14 graus de máxima e 11 de mínima.

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As folhas começam a cair e caem das árvores as últimas maçãs. A horta já pouco ou nada mais dará este ano. Ainda não há perigo de temperaturas negativas, mas vamos apanhando batatas, cenouras, cebolas, alhos e beterrabas, para os guardar na oficina ou na despensa, que são as partes da casa que não aquecemos. Os tupinambos e as beterrabas ainda podem esperar mais um bocadinho. As acelgas, deixamo-las ficar e vamos só tirando as folhas de que vamos precisando, que nunca se cansam de fazer folhas novas, às vezes pelo inverno dentro.




Foto: A horta, ou o que resta dela nesta altura. A cerca de arame, que talvez estranhem, é por causa de corços e gamos, que comem tudo.

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Apanhámos há duas semanas 280 quilos de maçãs, que fomos levar à fábrica de sumo. O modelo de negócio da fábrica é um litro de sumo, já pasteurizado, por cada 10 quilos de maçãs. É claro, não é sumo das nossas maçãs que nos dão, é sumo de maçãs que foram entregues no dia anterior. Mas só aceitam maçãs como as nossas, de amadores que não utilizam pesticidas. É bom negócio para a fábrica, mas não para nós: se contarmos o preço do nosso trabalho, saem-nos muito mais caros estes 28 litros de sumo na fábrica do que comprá-los na loja, as umas 15 coroas (± 2 €) por litro. Mas é só para não se estragar tanta maçã.




Fotos: O ano passado, fiz uma poda bastante radical de algumas macieiras, a ver se lhes reduzia a produção, mas continuam a produzir muito. Foi difícil meter 280 quilos de maçãs no carro (houve anos em que tivemos de usar um atrelado), mas conseguimos. À volta, já havia muito espaço livre.

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Agora, mesmo apanhando 280 quilos de maçã, estraga-se sempre muito mais que isso. Começam as maçãs a cair para o chão em julho e só agora, em outubro, caem as últimas. Enquanto não arranjamos tempo para as apanhar e levar à fábrica, como fizemos agora, vão parar várias centenas de quilos ao monte de composto no fundo do quintal. Depois de apanharmos todas as maçãs que conseguíamos apanhar, continuaram a cair as das árvores altas, que já não eram podadas com certeza há muito tempo quando comprámos a casa e que, agora, não há maneira de podar. No fim de semana passado, apanhei e pus no composto, destas maçãs, mais umas centenas de quilos. Agora já poucas mais hão de cair.  
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É claro, nós fazemos tudo e mais alguma coisa com maçãs, compotas e doces vários, e fartamo-nos de comer maçãs na época delas, mas não damos vazão nem de um décimo. E nem sequer faz muito sentido convidar os vizinhos a virem-se servir das nossas maçãs — toda a gente aqui na terra tem maçãs e alguns têm o mesmo problema de excesso de produção que nós temos.




Foto: Maçã caramelizada no forno a baixa temperatura com açúcar mascavado e canela. Com um bocadinho crème fraîche por cima, dão uma deliciosa sobremesa.

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Na horta, temos feito todos os anos acelgas, batatas, curgetes, fava, feijão-catarino e morangos (muito poucos), mas o resto vai variando de ano para ano. Nos últimos anos, temos também tido sempre beterrabas, espargos, framboesas e uvas. Este ano, tivemos também alho, beterraba, cebola, cenoura, chicória italiana (radicchio) e feijão-branco. Fora da horta, tivemos tomate, pepino e piripiri, na estufa; e há também groselhas pretas, vermelhas e verdes, e amoras, espalhadas pelo quintal. E tivemos pela primeira vez muitos figos e muitas rainhas-cláudias, muito bons tanto aqueles como estas.

Foto: Uma sopa feita só com produtos na nossa horta, tirando, claro, o sal e o azeite: cozi primeiro o feijão-branco fresco, porque não sabia quanto tempo ia demorar a cozer e não o queria muito espapaçado. Noutro tacho refoguei cebola, alho, cenoura, um jalapeño não muito forte e os talos das acelgas, tudo em cubos pequenos, e juntei-lhe depois um bocadinho de tomate. Cozi as acelgas à parte, em água muito salgada, só durante dois minutos e passei depois por água fria. Juntei ao refogado o feijão e a água onde o tinha cozido, e batatas cortadas em cubos grandes. Deixei cozer um bocadinho e juntei curgete cortada em juliana grande. Deixei cozer mais um bocadinho e juntei as acelgas.

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Foto: Uma bonita (e saborosa salada) salada que a Karen fez, com flores comestíveis que eu não sei como se chamam. A couve-roxa não é do quintal, mas a beterraba e as flores são. Temos muita beterraba, mais do que conseguimos comer, e eu tento arranjar maneiras de a preparar (borche, assada no forno com molho de tahini e limão, seca no forno em tiras muito fininhas, sei lá que mais...), mas também não se pode comer beterraba todos os dias, não é verdade?
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Foto: Feijão-catarino e feijão-branco e secar. As nozes por baixo do feijão-branco também estão a secar, mas não são do nosso quintal. Comprei-as frescas aqui na aldeia.

Eis-nos então no fim da primeira quinzena de outubro. Até agora, tem sido um outono suave. A próxima tarefa no quintal é podar as macieiras.   


23/12/19

Feliz Natal

Como todos sabem, a tradição já não é o que era, sobretudo porque, de facto, já não era muito o que era quando ainda era aquilo que já não é... Além disso, o melhor ainda é cada qual arranjar a tradição que lhe convenha, se acaso lhe não convier a tradição que há. De maneira que, cá em casa, a tradição costuma ser peru no Natal, exceto nos Natais em que a tradição foi ganso e nos Natais em que a tradição foi pato, que também os houve. Nos anos em que a tradição foi peru, assou-se o peru no forno, coberto de bacon, a muito baixa temperatura (o dia todo), e aconteceu também acrescentarmos-lhe recheio de ameixas secas e maçãs, que fomos buscar ao primeiro ano em que a tradição foi ganso...

O nome inglês do peru diz que ele que vem da Turquia, mas, na realidade, é bicho originário da América do Norte, tendo sido domesticado mesmo no sul desta parte do mundo, na zona que é atualmente o México. Quanto ao nome português, há que compreender que Peru designava muitas vezes não o Peru atual, mas as colónias americanas de Espanha. Do nome francês, que o diz da Índia, também não se pode dizer que esteja incorreto, porque a América eram as Índias Ocidentais, não é verdade? Aliás, os canadianos francófonos também chamam ao milho trigo da Índia.

Foto: Paulo Guedes, sem data: Venda ambulante de perus na época do Natal, Largo de São Domingos, Lisboa (daqui)

Este ano, para variar, vamos introduzir uma tradição nova, um fiambre glaceado, ou seja, neste caso, barrado com uma mistura de mostarda de Dijon e mel e assado no forno a baixa temperatura, talvez com um bocadinho de calor forte no fim para caramelizar a superfície.

Tradição inalterável no Natal da nossa família, só o gelado caseiro à sobremesa – os sabores é que podem variar, entre chocolate, rum com passas ou caramelo com amêndoas. Bem veem, os nossos filhos tinham dois, quatro e seis anos quando fomos viver para Moçambique, de maneira que foram quentes os Natais mais importantes da vida deles. E nem o inverno dinamarquês lhes tira o gelado natalício.

A todos os leitores habituais do blogue, e também a quem venha por acaso aqui parar, desejo um Feliz Natal, com as iguarias que as tradições de cada um lhes ponham na mesa da consoada.

06/04/19

Conversa de mãe e filha sobre transportes


– Mas vê lá se arranjas quem te dê boleia da festa para casa. Ou para aqui perto, pronto... Pede aos pais dos teus amigos que tenham lugar no carro... É muito longe, e àquela hora...
– Mas eu custa-me tanto, tenho tanta vergonha...
– Ok, tens vergonha, mas são duas horas de viagem, ao fim de um dia em que eu já fiz quase 500 quilómetros a guiar...
– Mas tenho vergonha... Não há assim ninguém que eu conheça tão bem que me sinta à vontade para lhe pedir...
– Além disso, lembra-te do aspeto ambiental, duas horas de carro só com duas pessoas.
–  Ah, ok, então vou tentar arranjar boleia.



14/01/18

Gavrock

Gavrock é uma palavra que eu inventei, uma amálgama de gavroche e rock – uma coisa entre, digamos, Aristide Bruant  e Ian Dury.

Há muitos anos, sonhei (literalmente – foi coisa que vi num sonho) que havia de ter uma tatuagem com esta figura, mas acabei por nunca a mandar fazer. A semana passada, a minha filha mais nova disse-me que quer ter uma tatuagem quando «tiver idade para isso» (!). Contei-lhe a história do sonho e expliquei-lhe como era a imagem sonhada, e ela achou que uma tatuagem assim havia de ser bonita. Decidi fazer o desenho, para ela ficar com uma ideia mais clara o que eu imaginara. Ela gostou muito e disse que estava decidido: um dia terá ela a tatuagem que o seu pai nunca chegou a ter.


26/08/14

De objetos e objetivismo

Era eu adolescente, usava-se no meu grupo de malta a expressão objetos de curtição. Costumam dizer-se decorativos os objetos que servem apenas para enfeitar as habitações, mas, quando penso agora nisso, curtir, pelo menos como nós usávamos a palavra, implicava uma atitude menos passiva que decorar, porque decorar é o que fazem os objetos estando apenas ali e independentemente do interesse que alguém tenha neles, ao passo que, em curtir, os objetos são… objetos diretos e o verbo implicava participação ativa dos sujeitos que nós éramos. Os quartos do pessoal eram mesmo uma espécie de museus, com visitantes realmente interessados na obra exposta.

*** 
“Não há muitas casas com objetos tão bonitos como os que nós temos a decorar a nossa”, dizia eu à Karen, enquanto lavava os vidros das janelas da sala.
“Ora”, disse ela, “isso é o que toda a gente pensa dos seus objetos. As pessoas escolhem os que acham bonitos.”
“Ok”, insisti eu, “mas, independentemente dos gostos, os nossos objetos são objetivamente mais bonitos.”
Ela riu-se.

*** 
A quem foi educado no descontraído relativismo pós-moderno (não é o caso da Karen, não me entendam mal), qualquer proposta de absoluto pode surpreender. No outro dia, numa conversa sobre música, ficou muito admirada uma amiga minha quando eu afirmei que, deem que voltas derem ao assunto, não se pode reduzir tudo a gostos, como se Bruckner e Elton John estivessem de facto ao mesmo nível.
“É curioso”, comentou ela, “já no outro dia também ouvi alguém dizer que se pode analisar objetivamente a qualidade da música.”

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Vocês, que me conhecem bem, digam-me lá: isto sou eu a brincar ou eu a falar a sério?








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A descrição dos objetos, de cima para baixo e da esquerda para a direita: cinco tacinhas romenas, que nos ofereceu a nossa amiga Claudia; um pégaso de pendurar e, ao lado, um castiçal-bode, balineses os dois, comprados em Ubud, se me não falha a memória; uma estátua de autor desconhecido comprada em Chimoio, Moçambique; uma faca da Lapónia, com o cabo em osso de rena, prenda de Natal  do Sr. Innala em Haparanda; um trabalho da escola da minha filha Joana; uma escultura do meu sogro Kaj Lindegaard, vista de dois lados; trabalho de um artesão moçambicano que não sei quem é, comprado em Maputo; uma curiosa peça de cerâmica da Guatemala, que deve ser um vaso, mas que nunca usámos como tal; um galo que seria de Barcelos, não fosse o meu amigo Pedro Malaquias lhe ter dado uma bonita volta, para mo oferecer; mais uma escultura de autor desconhecido, também de Chimoio, que como podem ver, é terra de escultores imaginativos; e uma cabeça de pedra de sabão, também de autor desconhecido, comprada há 16 anos em Mutare, no Zimbábuè – já resistiu a quatro mudanças de continente, com várias mudanças de casa entre elas.

23/12/08

Tecnologia inapropriada

É conhecido: um dos (muitos…) problemas do trabalho de desenvolvimento é o uso de tecnologias pouco ou nada adaptadas à realidade local. Um exemplo claro: vejam o que acontece quando se usa em Chimoio, com 30 graus e 90% de humidade, tecnologia sueca de Natal, nomeadamente uma pepparkakshus, uma simpática casinha doce que as crianças montam e decoram.


Os inconscientes arquitectos, após a conclusão do projecto


A casa construída


A casa construída, passadas alguma horas


A casa construída, passadas mais alguma horas