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6 de agosto de 2016

Férias em Lisboa #1


Na Dinamarca não se veem freiras. Pode ser que as haja, mas, se há, nunca vi nenhuma. Por isso, no outro dia, em Lisboa, chamei a atenção da minha filha — dinamarquesa — para uma freira que ia a passar.

– Já tinhas visto alguma freira, Siri?

Perguntei-lhe se conhecia a palavra freira. Nonne, sim, conhecia.

– Mas como é que sabes que é uma freira? – perguntou ela. – Não podes saber. Pode ser uma só uma muçulmana.








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Imagem: Painel da Catedral de Sta. Maria, em Portland, Oregon, EUA. Não consegui descobrir quem é o autor. (Daqui >)

2 de julho de 2016

Meio enchido e meio esvaziado

Há a famosa história do copo meio cheio ou meio vazio, mas, como explica uma pequena filósofa que tenho cá em casa, isto de cheio e vazio não existe no vácuo, perdoem-me a gracinha pateta: o estado do copo depende de alguma ação — que tende para algum fim. Isto sou eu a dizer, que ela não diz assim. O que ela diz é o seguinte:
Se está meio cheio ou meio vazio depende de como estava antes: se estava cheio, agora está meio vazio e daqui a bocado está completamente vazio; se estava vazio, agora está meio cheio e, se não enchermos mais, nunca chega a ficar mesmo cheio.

2 de novembro de 2013

Nascer onde nasce o sol

Há cerca de dois anos, disse-me a minha filha mais nova:
Sou meio dinamarquesa meio portuguesa, mas nasci na Dinamarca. Quando for velha, quero ir para Portugal e morrer lá – como o sol, que nasce a leste e se põe a oeste.
***
Não sei se é comum associar o nascer do sol ao lugar onde se nasce, mas dá, às vezes, bom resultados:

The Divine Comedy (Neil Hannon), "Sunrise" (1998), ao vivo no Palladium, Londres, 2004

16 de março de 2010

Uma vida sem buracos

E se algumas pessoas (todas é um número grande demais para caber numa conjectura deste tipo…) trouxessem já consigo à nascença um utópico ideal de organização geométrica, de superfícies lisas e regulares? A Siri, a minha filha mais nova, para quem o mundo pouco mais é do que Chimoio, e para quem, portanto, as ruas normais deveriam ser as ruas que aqui há, quer sempre obrigar-me a dar voltas grandes, no caminho da escola para casa, para poder seguir as ruas mais arranjadinhas, ou, como ela diz, sem buracos. Já me explicou várias vezes que detesta buracos e hoje, num tom arreliado, perguntou-me literalmente assim:

“Mas pai, porque é que tem de haver buracos na vida?”

9 de fevereiro de 2010

Tic tac tic tac

Nada mais preciso, mais regular, menos dado a desarrazoamentos. Tem, pois, toda a razão a minha filha Joana ao chamar-lhe relógico.

30 de março de 2009

Quem é que faz o arco-íris?

Até hoje, a Siri (a minha filha de 4 anos e meio, para quem não nos conheça) só tinha visto arco-íris em filmes. Ou, pelo menos, se alguma vez os tinha já visto no céu à sua frente, não se lembrava. Ficou fascinada.

“Eu não sabia que havia mesmo arco-íris a sério”, disse-me ela, “pensava que era só nos filmes. Quem é que faz aquilo?”

Tem sido várias vezes postulada uma tendência natural dos seres humanos para pressuporem, perante qualquer fenómeno anormal, um agente que seja o seu causador – um agente com características essencialmente humanas, como os deuses… Não é a primeira vez que a Siri me faz perguntas assim.

“Ninguém, Siri, o arco-íris não é ninguém que faz…”

Ela não insiste, mas não sei se a satisfaz a minha resposta, que choca obviamente com a sua intuição…

15 de março de 2009

Tom & Jerry ou as vantagens de uma casa pequena

“Quando voltarmos para a Dinamarca, não havemos de ter uma casa assim tão grande como esta.”

“Mas também é bom, porque com uma casa pequenina só temos espaço para uma televisão pequenina e depois o Tom e o Jerry não cabem os dois na televisão ao mesmo tempo e assim não podem andar sempre à guerra um com o outro.”