Farol da Berlenga
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Berlenga Grande (Berlengas, Peniche), Agosto de 2019
Vista de Peniche, num dia claro, a Berlenga parece um bolo com uma vela
branca ao centro. Esse pino...
Há 4 horas
Filha de pai muçulmano de nacionalidade russa e de mãe russa cristã, nasci muçulmana e nunca mudei de religião. Tendo o meu pai morrido pouco depois do meu nascimento, em Genebra, onde morava, a minha mãe ficou na cidade com o meu velho tio-avô, que me criou completamente como rapaz, o que explica por que há muitos anos visto roupa masculina.
Comecei primeiro o curso de medicina, que abandonei ao fim de pouco tempo, irresistivelmente atraída pela carreira de escritora.
Com 20 anos, em 1897, fui com a minha mãe para Anaba, na Argélia, onde ela morreu passado pouco tempo, depois de se converter à fé muçulmana. Voltei então para Genebra, para aí cumprir o meu dever filial para com o meu tio-avô, que morreu, também ele, pouco depois, deixando-me uma pequena fortuna! Sozinha, ávida de desconhecido e de vida errante, voltei para África, onde percorri sozinha, a cavalo, a Tunísia e a Argélia oriental, bem como o Saara Constantino. Para maior comodidade e por gosto estético, acostumei-me a usar roupa árabe, e falo bastante bem a língua do país, que aprendi em Anaba.
Em 1900, estive em El Oued, no extremo sul da província de Constantina. Conheci aí o Sr. Sliman Ehnni, nessa altura sargento dos spahis. Casámo-nos segundo a tradição muçulmana.
Nos territórios militares, em geral, os jornalistas são mal vistos, porque gostam de meter pauzinhos na engrenagem... Foi esse o meu caso: desde o início, as autoridades militares, que, nessa zona, são também administrativas (Gabinetes dos Assuntos Árabes), mostraram-se muito hostis: quando demos conta, o meu marido e eu, da intenção de consagrar o nosso casamento religioso através de uma união civil, foi-nos recusada a autorização para tal.
A nossa estadia em El Oued durou até janeiro de 1901, altura em que, em circunstâncias muito misteriosas, fui vítima de uma tentativa de assassinato por parte de uma espécie de louco nativo. Apesar dos meus esforços, não se esclareceu esta história no julgamento que decorreu em junho de 1901, perante o Conselho de Guerra de Constantina.
Ao sair do Conselho de Guerra, a que, naturalmente, tive de comparecer como principal testemunha, fui bruscamente expulsa do território argelino (e não de França), sem que se dignassem sequer explicar-me os motivos de tal medida. Fui brutalmente separada do meu marido. Como se tinha naturalizado francês, não era válido o seu casamento muçulmano.
Refugiei-me junto do meu irmão, em Marselha, onde o meu marido logo se veio juntar a mim, pedindo colocação no 9º regimento de hussardos. Aí, foi-nos concedida licença para nos casarmos, após inquérito e sem qualquer dificuldade... É certo que foi em França, longe dos proconsulados militares do Sul da província de Constantina. Casámo-nos na Câmara Municipal de Marselha, a 17 de outubro de 1901.
Em fevereiro de 1902, terminou o período de serviço do meu marido, ele deixou o exército e voltámos para a Argélia. O meu marido foi pouco depois nomeado khodja (secretário - intérprete) na comuna mista de Ténès, no Norte do distrito de Argel, onde ainda está. Esta é a minha vida real, a vida de uma alma aventureira, livre de mil pequenas tiranias, daquilo que se chama os costumes, o “património”, e ávida de grandes espaços abertos, e de uma vida variada e livre.Talvez a breve autobiografia de Isabelle Eberhardt vos desperte a curiosidade e talvez a achem demasiado sucinta. Para quem queira saber um pouco mais sobre a escritora suíça, desenvolvo um pouco a sua história:
O que pensará se lhe digo que eu, sem religião, filha do acaso, criada entre a incredulidade e infelicidade, atribuo, no fundo da minha alma, a pouca felicidade que me coube na terra à bondade do Deus Clemente e Misericordioso? … Eis talvez as causas desse respeito e desse profundo apego que eu sinto pelo Islão... Depois disto, entenderá por que atribuo a minha vinda a um país muçulmano à vontade augusta de Deus, que quis provavelmente salvar-me um dia das trevas da ignorância … Sei que é o único que pode entender-me e não receber esta minha declaração com incredulidade, como alguns muçulmanos, ou com desprezo e escárnio, como todos os cristãos.Não quer, porém, que o seu interlocutor entenda nesta confissão alguma submissão a preceitos sociais que Isabelle recusa liminarmente:
Não me creio de forma alguma obrigada, para ser muçulmana, a usar gandoura e mleya[6] e a ficar enclausurada. Estas medidas foram impostas aos muçulmanos para os salvaguardar de possíveis quedas e os manter puros. Assim, basta praticar essa pureza e a ação será, por isso, ainda mais meritória, porque é livre e não é imposta … Diga-me com toda a consciência: tenho ou não de me pôr a fazer papel de um Dr. Grenier feminino, que parece implicar o hábito é que faz o monge, e que usar burnous ou ferrachia [tipos de vestidos] de mulher significa ser muçulmano? São as sua próprias palavras, que não é preciso mascarar-se de árabe para se ser muçulmano … Não são geralmente aqueles que fazem grandes gestos e muita confusão, para falar de maneira mais simples, que são os melhores crentes. E, para mim, o Islão, a religião mais luminosamente clara e mais grandiosamente simples de todas, para mim, nunca o Islão consistirá em ostentação gratuita …E acrescenta, noutro lugar:
… que a mulher fique forçosamente subordinada à vontade do marido ou do amante, só por se unir a ele, isso não compreendo e nunca hei de querer admiti-lo. É o único ponto em que sou kéféra [infiel, não-muçulmana].Ali Abdul Wahab visitou-a duas vezes durante a sua estadia em Anaba. Em julho ou agosto – não se sabe a data exata – Isabelle converteu-se publicamente ao islamismo.
Foi nessa altura da minha vida que o Islão me lançou este poderoso e profundo sortilégio que, pelas fibras mais misteriosas do meu ser, me amarrou para sempre à terra estranha de Dar al Islam … e foi nessa altura que o legado do Profeta se tornou a minha pátria de eleição, amada toda a vida, para além dos anos e do exílio ... Nessa altura – tinha vinte anos – eu amava da vida os chamarizes dourados ... Era um vagabundo – porque não tinha pátria ... Amava teoricamente, com um amor triste, um grande país do Norte – porque aí tinha nascido a minha querida mãe ... Ora na Terra do Islão encontrei a pátria tão desejada, tão desesperadamente desejada ... e amei-a ... Às vezes Sidi Mohammed e eu íamos à Djemaa El Bey, a mesquita de Anaba, para a oração da manhã … e com os tolbas [povo berbere], após as abluções rituais, entrávamos na sombra e no recolhimento da mesquita ... Esse momento da çabeha, e também o da penúltima oração, o mogh’reb, ao pôr do sol, foram as mais deliciosas horas de minha vida … Durante muito tempo, porém, no terrível conflito que dilacerava a minha alma envolta em trevas, ia à mesquita de uma forma diletante, quase ímpia, como esteta ansioso por sensações delicadas e raras ... E, no entanto, desde o início da minha vida árabe, o esplendor da glória incomparável do Deus do Islão deslumbrou-me, criou em mim um desejo inefável de deixar entrar no meu ser a grande luz suave ... para escapar à terrível solidão de descrença ..., para sair voando do abismo escuro da dúvida em direção às alturas do firmamento ... De todos os males que afligem a alma humana, porém, a dúvida é o mais lento.Em julho desse ano, Isabelle decidiu casar-se com um diplomata turco e militante do movimento Jovens Turcos, mas o casamento ficou sem efeito quando o noivo foi colocado em Haia. Isabelle começou a trabalhar num romance chamado Rakhil.
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| Foto de 1897. Vi Isabelle Eberhardt comparada a Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como Lawrence da Arábia. Mais concretamente, vi-a descrita como “a versão feminina de Lawrence da Arábia”. Não creio que Lawrence da Arábia alguma vez tenha sido referido como a versão masculina de Isabelle Eberhardt, embora ela seja 11 anos mais velha que ele. A relação com Lawrence da Arábia estabelece-se provavelmente através das fotos em que Isabelle Eberhardt aparece vestida com trajes exóticos, como Thomas Edward Lawrence – que sejam do Norte de África ou na Península Arábica não tem importância para o público europeu. |
Quando estava a jantar no hotel Oasis, o capitão Susbielle, que tinha conhecido durante o dia, propôs-me que me juntasse à sua caravana para ir para Touggourth. Primeiro, aceitei; depois, durante as minhas conversas com os nativos, a minha intenção alterou-se quando me disseram da rudez desse oficial para com os muçulmanos. Não tive tempo para verificar o que contavam, mas, como queria conhecer bem os costumes do Sul, não queria perder a simpatia dos nativos e, no dia seguinte, quando o capitão Susbielle veio buscar-me, pedi-lhe desculpa por não ir na caravana, porque tinha de ficar em Biskra à espera de cartas da minha família que aí devia receber. O capitão disse-me que me esperava em Chegga, segunda etapa do caminho para Touggourth.
A 18 de julho à noite, parti para Touggourth. Os meus companheiros não estão com pressa de partir. Ficamos até às duas da manhã, num café chéouï, na parte antiga de Biskra, com o filho de um marabu e os spahis, a falar sobre as coisas do Sul.
No dia 19, às 9h, chegada ao bordj [citadela fortificada] Saada (Teïr-Rassou). Sesta pesada ao calor, depois do percurso noturno. Despertar preguiçoso. Damos um passeio.
Joguei às cartas com os chaoulyas (berberes de Aurès) duma caravana acampada perto do bordj. Para eles, sou um jovem estudante tunisino em viagem de estudo, de visita aos zaouïyas do Sul. Em Biskra, o tenente-coronel Friedel perguntou-me, no Gabinete dos Assuntos Árabes, se não era metodista. Quando soube que era russa e muçulmana, não entendeu nada. Quem não está no Saara por prazer não compreende que alguém aqui venha de viagem, especialmente fora de “época”. Se tivesse esta perspetiva, Fromentin nunca teria escrito Été dans le Sahara. É certo que não sou Fromentin, mas há que começar. E depois, cometi o erro de me vestir como toda a gente se veste por aqui.
O xeque dos chaouïyas da caravana é um velhote curioso que gostaria de estudar. Pediu-me às 3h para lhe dar uma aula de francês. Temos de nos separar ao mogh’reb (pôr do sol).
Chegada por volta das 11h30 a Bir Djefaïr, onde descansámos no pátio do bordj infestado de escorpiões. Para começar os meus estudos de viagens em caravana, enchi a guerba (odre) duma excelente água de poço, com a minha chávena de estanho.
Partida de novo às 2h30 da manhã, a bom ritmo. Chegada a Chegga por volta das 3h45. Encontrei soldados dos Batalhões de Infantaria de África de Guémar, sem graduados, que vinham de Guémar para apresentar uma queixa ao general, em Batna. Bebi café com eles.
Partimos de novo no dia 20, às 5h45. Chegámos a Bir-Sthil pelas 11h. Água boa. Conflito com o guarda. Febre, sede intensa. Não encontrei nada para comer (só me alimento de pão desde dia 18 à noite). Fizemo-nos de novo ao caminho às 9h da noite.
Às 9h, no posto de telégrafo ao sul de Sthil, encontrámos caravanas de chaambas [membros de uma etnia árabe do Norte do Saara] que iam de Barika para Ouargla. O xeque Abd El Kader Ben Ali, modelo de gentileza, oferece-se para me levar a Ouargla com a sua caravana, sem retribuição.
Cerca da 1h da manhã, quase que morro, com o meu cavalo, num sabkha (lago salino seco), a oeste da estrada.
Às 3h, desmontei e emprestei o meu cavalo a um trabalhador chéouï que ia connosco a pé, para não ficar sozinho. Vamos avançando, como num passeio, ao longo das plantações da Sociedade Françesa do Oued-Rir. Chegada a El Mérayer às 5h.
Partida às 9h. Enganei-me no caminho. Apanhei os chaambas perto da meia-noite. Encontrei uma casal de nómadas, que eram conduzidos por Abdou Fay, um negro armado, à djemâa [comuna, divisão administrativa], perto de Ourlana, para se divorciarem. Viajámos todos juntos.
Chegada a 22, por volta das 2h, à fonte a que chamam Aïn-Sefra. Descansei com os divorciados. Voltámos à estrada e passámos por El Berd às 5h da manhã. Apanhei os chaambas cerca das 7h. Às 9h, descansámos na primeira fonte do oásis de Ourlana.
Subi ao bordj. Susbielle tinha deixado ordens para não me deixarem ficar no bordj mais de 24 horas. História das medidas de cevada cortadas e das chicotadas dadas ao xeque (ou caide?). Dia de sede e de febre, protegida pelo grupo.
Partida ao mogh’reb. Passei quase uma hora a procurar, à luz de fósforos, a única fonte boa de Ourlana, na estrada para Maggar. E encontrei-a. Dei de beber ao cavalo e às mulas doentes com o meu bidão. Pus água nova na guerba. Na estrada, disputa com o xeque de Ourlana.
Por volta da meia-noite, encontrei o comandante do Círculo de Touggourth, que partiu de férias, de carro. Pelas duas da manhã, descansei, porque nos sentimos mal: tivemos os três vómitos e tonturas. Dormimos no meio do deserto, na areia.
Ao acordar, tivemos de ir à procura dos animais. O homem de Bou Saâda tentou acender um cigarro com um tiro de pistola. Deixámos para trás Lakbdar, com a sua mula, que levava o pão e a água.
Dia 23, entre as 2h e as 4h da tarde, atravessámos a ponta ocidental do Chott [lago salino] Merouan. Chegámos, Salah e eu, a El Maggar às quatro horas. Bebemos café árabe no posto árabe dos correios. Fomos à procura de Chlély e encontrámo-lo.
Saímos de El Maggar por volta das 6h. Chegámos a Touggourth cerca das 11h. Dormi o dia todo. Passei a noite nas «mulheres do Sul», com as cantoras e o Brigadeiro Smaïn.
Por volta das 4h, o califa Abd Al Aziz e o deïra [cavaleiro da comuna] Slimène vieram buscar-me para ir a casa do capitão Susbielle.Tivemos um conversa de quase duas horas, inicialmente com violência e depois com mais cortesia por parte do capitão. Recusou-se, de forma fria e cortês, a deixar-me em Ouargla, isto é, a dar aos meus guias autorização para me acompanharem.
Até às 10h da noite, andei à procura dos chaambas, para ir com eles, deixando os meus guias em Touggourth.
Encontrei Taïb, o chéouï, que disse que o xeque Abd El Kader mandava cumprimentos e que tinha ido fazer o asr [oração da tarde] por volta das 4h.
No dia 25, de manhã, voltei ao Gabinete dos Assuntos Árabes e pedi autorização para levar guias para Souf [El Oued]. Foi-me concedida.
Passei em Touggourth os dias 26 , 27 e 28. No dia 28, fui de cavalo a Témassine. No dia 29, às quatro da tarde, partimos para El Oued. Febre intensa. Caí na duna perto da guemira [marco de pedra para indicar o caminho no deserto] de Mthil. O carteiro negro Amrou acompanhou-me na viagem.
No dia 31, às 2h da manhã, pus-me de novo a caminho com o carteiro Bel Kheïr. Chegámos às 9h30 a Ferdjenn. Encontrei-me com o brigadeiro Osman e o spahi Mohamed ben Tahar. Passei o dia com febre.
No dia 1 de agosto, às 2h30 da manhã, fiz-me à estrada com o guia sufi Habib. Chegámos às 9h da manhã a Moïet El Caïd. Dormi a sesta e prossegui viagem depois do mogh’reb. Chegámos por volta das sete da manhã a Bir Ourmès. Passei o dia no jardim do xeque. Zaragata e combate de guias com o filho do xeque. Passei a noite em frente ao bordj.
Saímos às três e meia da manhã. Às quatro da tarde, fizemos uma breve paragem para beber em Kasr-Kouïnine. É inesquecível a impressão do sol a pôr-se na grande duna.
Cheguei a El Oued às sete. Deparei-me com um enterro muçulmano.Isabelle não ficou muito tempo em El Oued. A 29 de agosto estava de volta à costa argelina. Passou por Anaba, onde se encontrou com Augustin na campa da mãe, e seguiu imediatamente para Tunes. Mas também não ficou muito tempo na cidade. Entre setembro e outubro, fez uma viagem no Sahel tunisino e em novembro estava em Marselha, com rumo a Paris. Foi nessa altura que terminou a relação com Ali Abdul Wahab – por um «assunto de dinheiro» (?).
Nunca tive nenhum papel político, limitando-me ao jornalismo e a estudar de perto essa vida indígena de que eu gosto e que é tão desconhecida e tão desfigurada pelos que, ignorando-a, pretendem descrevê-la. Nunca fiz nenhuma propaganda entre os indígenas e é de facto ridículo dizer que me armo em pitonisa. Em qualquer lado, sempre que disso tive ocasião, procurei transmitir aos meus amigos indígenas ideias justas e razoáveis, e explicar-lhes que, para eles, o domínio francês é bem preferível ao domínio turco, ou a qualquer outro. É, por isso, injusto acusarem-me de ações antifrancesas.Em setembro, Isabelle partiu para o Sul de Marrocos como repórter de guerra. Isto foi logo depois da batalha de El Moungar, um marco importante da resistência antifrancesa dos berberes, que originou uma forte e longa reação da potência colonial. Tudo leva a crer que Isabelle estava realmente próxima dos movimento anticoloniais. No ano seguinte, Isabelle fez duas viagens a Marrocos. Na segunda viagem, ficou, em Hammam Foukani, na antiga zaouïa [escola ou mosteiro islâmico] do célebre resistente anticolonial Bouamama, nessa altura dirigida por Si Mohammed ben Menouar, primo e cunhado do antigo chefe, e passou os dois meses seguintes noutra zaouïa em Kenadsa. Em Setembro, voltou, doente, a Aïn-Sefra, onde foi hospitalizada.
A terrível tempestade que recentemente eclodiu na região de Aïn-Sefra teve as mais terríveis consequências. Abateu-se sobre a vila e os arredores uma tromba de água, e a chuva caiu em tão grande quantidade que o oued [rio sazonal] Sefra, que costuma ser um modesto ribeiro, se encheu de repente, saiu do leito e precipitou-se na vila, inundando um grande número de casas.
As inundações de Aïn-Sefra, 1904.
A inundação deu-se tão de repente que os habitantes da vila não conseguiram prevê-la e a maioria deles não teve tempo de fugir. Foram vítimas do desastre 14 nativos e 12 europeus.
Entre os desaparecidos, encontra-se também uma escritora de verdadeiro talento, Isabelle Eberhardt. Seduzida pelos encantos da vida livre, Isabelle Eberhardt escolheu há já vários anos a Argélia como pátria adotiva. De burnous e turbante, com bom domínio do árabe, misturava-se com as tribos e escrevia estudos de costumes e contos sobre a vida árabe, com uma observação justíssima e um estilo muito pitoresco.
Amours nomades. Paris: Folio Gallimard, 2008