Toda a gente sabe: quando se vai para a idade, como se costuma dizer, é muito importante manter o exercício, a atividade, a jovialidade e sobretudo a vida social. Mas também toda a gente sabe que é inevitável a perda de capacidades. É assim a vida. Uma pessoa pode continuar a pensar de forma bastante organizada, não ter falhas significativas de memória, fazer sem problema 20 km a pé, mas, sei lá, um dia vê-se aflita para montar um interruptor num candeeiro de mesinha de cabeceira, só porque os parafusos são pequenos e o espaço de manobra é pouco, nunca tal lhe tinha acontecido... A motricidade fina já não é o que era. E quem diz a motricidade fina diz a memória processual, e a força muscular e a vista e… seja lá o que for, varia um pouco de pessoa para pessoa. O que importa é que a pessoa o reconheça. E que, se a perda de capacidades implicar algum perigo, se torne mais prudente.
O meu trabalho em apoio domiciliário ensinou-me que uma grande parte dos acidentes domésticos graves de pessoas idosas resultam da teimosia de continuarem a executar as tarefas diárias como sempre fizeram — quer se trate de aparar sebes ou de sacudir os edredões… Há 15 anos que a minha mulher, de casa para o trabalho e do trabalho para casa, faz a autoestrada a 130 km/h. Decidiu agora que chegou a uma idade em que não deve ultrapassar os 110 km/h. Parece-me muito bem.
Imagem: Briton Riviere: O velho jardineiro («The old gardener»), 1863, pormenor. Wikimedia commons, daqui.
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