29 de agosto de 2008

I can’t get no satisfaction (when I’m driving in my car, etc.)

Eis um daqueles casos em que o extraordinário entra na vida de uma pessoa com um ímpeto tal que quase se fica com vontade de passar a acreditar em bruxas e em bruxedos: Eram umas dez e meia da manhã, meteu o carteiro pela ranhura que a porta tem para a correspondência uma única carta. Vinha dirigida a Karen e Vítor e vinha de Inglaterra. Reconheci logo a letra praticamente ilegível do meu amigo Seth (que por acaso é médico) e perguntei-me a mim mesmo como é que ele tinha conseguido acertar com a nossa passagem pelo nosso apartamento na Dinamarca. Isto foi no dia 1 de Agosto. A nossa casa em Copenhaga tinha estado alugado durante dois anos a uma senhora com quem estávamos, naquele dia, a conferir o inventário de móveis e aparelhos e o estado de conservação do apartamento, que seria, daí a uns dias e depois de uma última limpeza, entregue aos inquilinos seguintes, com quem tínhamos assinado, semanas antes, um contrato de um ano. Por outras palavras: voltámos à nossa casa durante cerca de meia hora, e foi precisamente nessa meia hora que chegou a carta do Seth – que, a chegar um bocadinho mais cedo ou um bocadinho mais tarde, lhe seria provavelmente devolvida, porque não há nenhuma Karen nem nenhum Vítor a morar ali… Para coincidência, não está mal; mas também o conteúdo da carta era surpreendente: o Seth mandava-me uma folha da edição de Dezembro de 2006 do BMJ (British Medical Journal): um artigo chamado “Por que é que os dinamarqueses são uns convencidos: estudo comparativo da satisfação de vida na União Europeia” (“Why Danes are smug: comparative study of life satisfaction in the European Union”). Ora a satisfação dos dinamarqueses tinha sido precisamente o tema de animada conversa na noite anterior, em casa de uns amigos na Fiónia!... Ele às vezes há coisas que quase dão a uma pessoa vontade de passar a acreditar em bruxas e em bruxedos...

Mas deixemos de lado as estranhas coincidências e passemos à (altaneira?) satisfação dos dinamarqueses, que é uma parte do que aqui me traz. O artigo do BMJ que refiro aí atrás é assinado por três investigadores dinamarqueses, Kaare Christensen e Anne Maria Herskind, da Universidade de Odense, e James W. Vaupel, da Universidade de Rostock que, meio a sério e meio a brincar (mais a brincar do que a sério, de facto, e com muita graça…), procuram razões para o facto simples de os dinamarqueses aparecerem sempre destacados, em todas a sondagens, como o povo mais satisfeito do mundo com a vida que tem, e listam essas possíveis razões por ordem inversa à do que eles consideram ser a sua plausibilidade, desde “blondes have more fun” até “poucas expectativas” [entre povos satisfeitos com o seu nível de vida, os dinamarqueses têm sempre poucas expectativas para o ano seguinte, o que poderia explicar a sua satisfação, sobretudo quando se verifica que muitos dos grandes insatisfeitos têm sempre expectativas altas…]. Não é de modo algum minha intenção resumir aqui o artigo (leiam-no vocês próprios, que é boa leitura) e nem sequer discutir a satisfação dinamarquesa per se. Como eu (por muito que – arrogantemente? – satisfeito com a minha vida, como os dinamarqueses…) sou português, e como são portugueses os poucos leitores deste blogue, quero antes pôr em contraste a imbatível (e soberba?) satisfação dinamarquesa com a também invicta insatisfação portuguesa.

Como podem ver neste gráfico do Eurobarómetro, há números sobre a satisfação dinamarquesa desde 1975, mas a insatisfação portuguesa só em 1985 é que começou a ser medida. Têm em comum uma e outra o destacaram-se de todas as outras satisfações e insatisfações. [Em vez de destacaram-se, aliás, talvez até se pudesse dizer destocarem-se, porque a alegre (sobranceira?) linha dinamarquesa e a resmungona linha portuguesa são as únicas a não tocarem outras in/satisfações europeias. Música de fundo, em marcha popular: Se houvesse o europeu / do queixar-se e resmungar, / vinha o ouro e vinha a prata, / vinha o bronze e vinha a lata, / vinha tudo cá parar…] Agora, a minha ideia é que, comparando alguns aspectos que eu acho importantes da vida na Dinamarca e em Portugal, se poderia, mais do que apenas explicar o (empolado?) contentamento dinamarquês e o (também empolado?) lamento lusitano, propor aos portugueses meia dúzia de truques práticos para chegarem ao pódio da satisfação. A saber:
Canalização e instalações eléctricas à vista ou, pelo menos, bem mapeadas. É bem natural que problemas com canalização e instalações eléctricas sejam uma das nossas principais fontes de infelicidade para os humanos do nosso tempo. Quanto mais à vista o eventual problema, menos chatices. Tudo escondido na parede é para quê? Para ser bonito? Ora, meus amigos…
Nem estores nem cortinados. Tem alguma coisa a esconder? O tempo e a bílis que se gastam em Portugal e esconder a intimidade dos mirones da vizinhança! E para quê? Não vos parece óbvio que, se ninguém tiver cortinas nas janelas e se toda a gente se estiver nas tintas para isso, como acontece na Dinamarca, a vida não pode senão ser mais alegre?
Muita razão tinha o Platão: poesia só faz é mal. Os portugueses dizem que gostam muito de poesia e insistem que Portugal é uma nação de poetas. Na Dinamarca, ninguém lê poesia. Mas é que ninguém… Parece-me muito provável que a poesia, que não serve para nada a não ser perturbar a cabecinha às pessoas, seja efectivamente uma causa de infelicidade. Leiam antes jornais, biografias de pessoas famosas, livros técnicos e de divulgação científica e romances policiais, que são tudo leituras mais aconselháveis tanto para o pâncreas como para a cachimónia (Sinceramente, não acredito que os portugueses leiam poesia, apenas dizem que a lêem. Na realidade, pode ser antes esse o problema e a maneira de se aumentar o seu nível de satisfação é, muito provavelmente, assumirem apenas que, de facto, não lêem poesia…).
Multiplicai-vos e enchei a vossa terra. Uma grande diferença entre os dinamarqueses e os portugueses é que aqueles fazem filhos e estes não. Sem investimento no futuro, não há senão insatisfação e os filhos são o penhor mais claro de um investimento sério no porvir. Toca a reproduzir-se, vá lá!
Colesterol, colesterol, banha, bacon e tintol! Qual peixe e sopa, qual o quê!, carninha de porco e muita manteiguinha, isso sim, e tudo regado com uma boa pinga! Uma grande lição da felicidade dinamarquesa é que não é por se viver mais tempo nem com mais saúde que se vive mais feliz – os dinamarqueses são um povo com níveis de saúde e uma esperança de vida muito baixinhos ao nível europeu, valha-os Nossa Senhora das Dores, e, no entanto… de contentes com a sua sorte não há como eles!
Dá-l’e, dá-l’e – quanto não vale a vida a pedal! Parece haver uma relação bastante directa entre o uso da bicicleta nas suas deslocações diárias e o grau de felicidade. Carros só dão chatices e barriga grande; a bicicleta, pelo contrário, é um excelente instrumento de relaxação e de exercício físico. Quando uma pessoa sai do trabalho chateada e se mete no carro, chega a casa ainda mais chateada do que saiu do emprego; se uma pessoa sai do trabalho chateada e pedala até casa, é certo que, quando chega ao lar, já lhe vão longe os problemas. Que vivam, pois, os velocípedes sem motor!
Um b’cadinho de exercício só faz é bem à vesícula. Na Dinamarca, uma grande percentagem dos cidadãos pratica desporto. Em Portugal… não me cheira… Pode ser que o desporto não seja uma prática saudável por aí além, mas paga o mal que faz pelo bem que sabe, como diz o outro, porque é seguramente uma grande fonte de boa disposição. Entre outras coisas, o facto de haver muita gente a praticar desporto num determinado país leva a que esse país seja capaz de grandes feitos desportivos; e isso, minhas caras leitoras e meus caros leitores, é das principais causas de satisfação de um povo. (Não pensem que isto é fumo da minha chaminé, que não é. Vão ao texto do BMJ e está lá tudo explicadinho!)
21 graus o ano inteiro! As pessoas esquecem-se sempre de que o Homo sapiens é um animal tropical. Sobrevivemos bem ao frio, graças ao Senhor dos Aflitos, mas causa-nos o dito (o frio, portanto) muita infelicidade. Ora uma das grandes diferenças entre a Dinamarca e Portugal é que na Dinamarca não se passa frio e em Portugal sim, e muito! Aqueçam as residências, os escritórios, as oficinas, os cafés, as salas de aulas, os autocarros – e tudo, enfim – quando a temperatura desce abaixo dos 20 graus! O dinheiro que se gasta em aquecimento é o mais bem empregue que há – porque os 21 graus são mesmo uma condição essencial para a felicidade!
Democracia e liberdade, sim, senhor, mas igualdade e igualdade e igualdade. Há que cultivar a igualdade e lutar pela igualdade e defender a igualdade. Para mim, não há dúvida: os cidadãos de um país onde as pessoas são mais iguais entre elas têm mais e melhores razões para estarem contentes com a vida. Ou, dizendo a mesma coisa ao contrário: provavelmente, não há nada que cause tanta insatisfação como as desigualdades. É, pelo menos, relativamente fácil constatar que os conflitos e as apoquentações são, em geral, maiores nas sociedade menos igualitárias, independentemente de que desigualdades se fale. A Dinamarca é um país com grandes tradições de liberdade e democracia, e isso é sem dúvida importante para a felicidade dos seus cidadãos, mas o que a Dinamarca tem mais do que outros países livres e democráticos é igualdade. O índice Gini mede a des/igualdade no rendimento, que é, provavelmente, a desigualdade fundamental, e, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD, a Dinamarca é, em todo o mundo, o país com uma distribuição mais igualitária do rendimento, com um índice Gini de desigualdade de 24,7 (Japão 2º com 24,9 e Suécia 3º com 25, Portugal muito abaixo com 38,5…). Mas não é só no rendimento que há igualdade. A Dinamarca é também o país onde carpinteiros convivem com médicos e empregados de balcão; onde fica muito mal a alguém julgar-se mais do que os outros; onde se trata por tu os ministros… E tudo isso claro, dá satisfação!
Churrascadas nos parques, em vez de passeios nos centros comerciais. Se mais razões não houvesse, esta diferença na maneira como o pessoal aproveita os tempos livres justificaria, só por ela, o contraste entre a (petulante?) satisfação dinamarquesa e a (merecida?) insatisfação portuga: Na Dinamarca, desde que não chova a cântaros, a malta agarra numa caixa de cervejola, num grelhador descartável, numas salsichas e numas costeletas de porco, e vai-se sentar na relva de um dos muitos parques que há dentro ou fora das cidades, debaixo de um álamo ou de uma bétula, e passa ali o dia, a tarde e a noite, se for caso disso, nos comes e bebes e ao paleio. Os portugueses passam sempre da mesma maneira os tempos livres: ou é na praia, se está muito calor, ou é a olhar para as montras. Se é na praia, ainda é como ou outro [por muito que seja obviamente contra a natureza do animal de savana que somos ficar a não fazer nada e a torrar apenas ao sol, ainda por cima na areia…]; agora, se escolhem o centro comercial, é óbvio que, quando chegam os senhores dos inquéritos do World Database of Happiness (garanto-vos que isto existe mesmo…) ou seja lá do que for, os portugueses inquiridos não podem senão responder que, pois, por acaso não, satisfeitos, não senhor, nem por isso…
É importante sublinhar, não vá alguém começar a criar confusões, que há povos mais insatisfeitos do que os portugueses. Os dinamarqueses são os mais satisfeitos do mundo, mas nós não somos os mais insatisfeitos do mundo, era só que o que faltava. Os mais insatisfeitos da Europa comunitária, ‘tá bem, mas do mundo não, nada disso. À escala mundial, os menos contentes com a sua sorte são, ao que parece, os zimbabueanos. Mas também deve ser porque os gajos gostam muito de se queixar, de se armar em coitadinhos… Se vivessem em Portugal é que eles haviam de saber o que é uma vida lixada…

6 comentários:

Relvas disse...

Então bom regresso de férias. Eu por cá estou a viver numa terra em que as pessoas correm a ligar os aquecimentos assim que a temperatura desce aos 20 (coisa que eu acho um esbanjamento e uma mariquice), onde andam bastante de bicicleta (gostava de ver alguém convencer um lisboeta a subir ao Bairro Alto de bicicleta), onde as instalações atravessam por onde calha, onde a noção de divertimento é um leitáo cheio de gordura acompanhado com vinho ácido com água gaseificada, onde se fazem filhos com uma militância feroz (contudo a população é escassa),mas onde são cortadores de relva compulsivos, deprimidos e suicidas, e condutores ansiosos, rabugentos e violentos.
Talvez vejam demasiada televisão.
E as desigualdades são cada vez mais cavadas.
E houve uma guerra há uma década atrás.
Mas ainda assim, ó Vitor, acho que seria preciso investigar isso melhor.

(ainda a propósito dos textos, é verdade que texto longo na internet é muito cansativo, mas basta partir a coisa e fazer parágrafos bem delimitados, já quanto a isso prejudicar a leitura de livros, discordo em absoluto)

Um abraço

Relvas

V. M. Lucas Lindegaard disse...

Não podia estar mais de acordo contigo: é preciso investigar isso melhor. Quando é que o Eurobarómetro chega à Croácia? Quem sabe se os croatas não estão, apesar da condução violenta, também satisfeitos com a sua vida?

Se de facto não estiverem, talvez não seja tanto por causa da desigualdade (pelo menos ao nível da distribuição dos rendimentos, a Croácia tem um índice de igualdade muito elevado, se bem que, provavelmente, na Dinamarca sejam todos igualmente um bocado mais ricos e na Croácia todos igualmente um bocado mais pobres), mas antes porque a Croácia nunca ganhou um europeu de futebol (porque no andebol feminino a Croácia até nem tem um palmarés abaixo da Dinamarca!)...

Outra possibilidade - que, de tão republicano que sou, eu me esqueci de referir no texto - é que a satisfação dos dinamarqueses lhes venha sobretudo de terem uma raínha que fala muitas línguas e pinta aguarelas e todos adoram. E isso, é claro, não há nem na Croácia nem em Portugal...

Quanto às bicicletas, a solução para as ladeiras íngremes é poder levar bicicletas nos transportes públicos, como acontece na Dinamarca (nos comboios suburbanos, no metro de Copenhaga), para a malta com menos energia... Não me digas que o elevador da Glória não podia ter uma armaçãozinha onde pendurar duas ou três bicicletas. Depois, do Príncipe Real até Chelas, nem que seja, já se pedala bem...

Um grande abraço

Relvas disse...

Com essa do nível de igualdade é que me convenceste a deixar arrefecer o café e responder. Estou de acordo em relação às bicicletas mas, apesar de nem sequer me dar ao trabalho de me declarar republicano, devo dizer que uma terra que adora a sua rainha que pinta lindas aguarelas não me inspira grande confiança. Sempre desconfiei quando toda a gente sorri pela média medida.

Quanto ao barómetro de igualdade em relação à Croácia, gostava de saber qual é. Serão dados do governo? O que se vê é exactamente o contrário, e vê-se porque a maioria das fortunas foram feitas durante a guerra, foram súbitas (porque será?), e os novos ricos não só não aprenderam a guiar os seus enormes carros de vidros fumados, como não sabem ainda ser discretos em relação às suas fortunas. Fortunas grandes num país em que a vida é mais cara do que em Portugal (do que na Alemanha de certeza, os emigrantes que o digam)e em que um ordenado de 1000€ já dá direito a inveja.

Quanto à confiança do croata médio, tipo em que a influência da mentalidade rural é muito grande, aceita e defende tudo o que é croata apenas porque é croata, apesar de se queixar tanto da vida como um português típico, apesar de sofrer de grandes complexos de inferioridade em relação aos austríacos, e apesar de ter uma vaga sensação de que, nos outros países da Europa (talvez à excepção da Itália), as mafias não estão sobretudo instaladas no e junto ao governo e ao sistema judicial.

E agora é que o meu café está mesmo frio.

Saudações a todos (à rainha, também, sempre somos colegas, por cá também fazemos aguarelas, talvez não tão belas...)

Relvas

V. M. Lucas Lindegaard disse...

Amigo Relvas, os números do índice Gini (igualdade na distribuição dos rendimentos) são do último relatório de desenvolvimento humano do PNUD, como poderás verificar seguindo os links do texto.

Quanto às aguarelas da rainha, não chegam aos calcanhares das tuas (vê lá uma http://bp0.blogger.com/_nNW-JL7SbtM/RokJgpfPfEI/AAAAAAAAAjs/dR_8b3o4Sx4/s1600-h/Trend.jpg). E não tenho maneira de lhe fazer chegar as tuas saudações - eu não me dou com malta dessa...

relvas disse...

Ah, pois eu não queria ser PNUD! Não deve ser muito fácil recolher dados sobre a economia doméstica numa terra em que a maioria das empresas pagam parte dos ordenados por baixo da mesa (também há empresas sérias... algumas), onde é frequente declarar-se o ordenado mínimo para enganar os impostos, onde lucros, rendimentos e outras coisas de somenos importância, como medidas de segurança, são inventados à medida das necessidades (não estou a inventar, tenho tido alguma knowledge do inside), onde para muita gente não pagar umas "luvas" ou oferecer uma "prenda" ainda é sinal de pelintrice e uma vergonha, tal como não ter algum dinheiro junto à carta de condução, onde não se passa a inspecção do carro sem pagar ao inspector, idem para licenças de obras e a maior parte dos negócios.

Não deve ser fácil, não, ó PNUD, a tua vida! Deves pensar que aqui toda a gente é pobre, a avaliar pelas declarações de impostos! E que dizer da Ucrânia! E da Roménia! E da Bulgária!

Como é possível acreditar que nestes ex-socialistas, onde as mafias tomaram rapidamente conta dos espaços deixados vagos pelo estado, a vida seja um mimo de igualdade?

V. M. Lucas Lindegaard disse...

Grande amigo Relvas,

Não faço ideia de qual seja o grau de rigor das estatísticas que servem de base ao Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD. Em alguma coisa se hão-de basear, no entanto, e também tenho a certeza de que deve ser tido em conta o facto de se declararem com menos exactidão os rendimentos nuns sítios do que nos outros. Eu, pelo menos, se fizesse as estatísticas teria isso em conta, não vejo por que é que os tipos que as fazem, que são técnicos do assunto, não haveriam de ter... E há seguramente ferramentas técnicas para lidar, em estatística, com esse tipo de fenómenos.

O próprio índice Gini, como instrumento de medição da igualdade na distribuição de rendimentos, também é muito criticado. Mesmo que se tenha dados fiáveis, parece que o resultado distorce quando os cálculos são aplicados a populações muito grandes. É o que eu leio, não percebo nada destas coisas, eu é mais sujeitos e predicados… Mas, por muito que não seja cem por cento fiável, dá uma ideia. Pronto, é isso, dá uma ideia.

Uma coisa é certa: as nossas impressões são normalmente ainda mais enganadoras do que estatísticas com alguma falta de rigor.

Mais um abraço