20 de março de 2018

Torresmos

Uma história de torresmos, verdadeira e muito instrutiva:

 Temos uns amigos que já nos vieram visitar várias vezes aqui à Dinamarca e que, simpáticos como são, nos trazem sempre alguma coisa de que acham que eu possa ter saudades. Da última vez, trouxeram uns pacotes de torresmos e, claro, ficaram um pouco dececionados quando os meus filhos lhes explicaram que é uma coisa que se come muito aqui, que há em todos os talhos e supermercados.

Torresmos são como socas e barretes, que também existem em toda a Europa (ou existiam, seja).* Podia, aliás, dizer-se que, em termos da chamada «cultura material», um europeu se pode (ou podia, seja...) caricaturar como uma pessoa de barrete e socas a comer torresmos. (Aqui entra um sorriso, claro.) Ouvi dizer que os croatas tentaram ficar com a patente dos torresmos (eles chamam-lhes čvarci**), mas não sei se é verdade, acho que é só uma história.

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* Pode bem ser que existam também fora da Europa, não sei. Nunca vi nem socas, nem barretes nem torresmos na África nem na América que conheço, mas também só conheço uma parte muita pequena desses continentes. Quer dizer, já vi ilustrações de trajes tradicionais canadianos com barretes. E na América Latina há chicharrón, mas não é como os chicharrones espanhóis, que são exatamente como os nosso torresmos, às vezes prensados em blocos e tudo, como em Portugal. O chicharrón que eu conheço na América tem muita carne, é mais como os rillons franceses — é preciso alguma boa vontade para lhes chamar mesmo torresmos.
** Em sérvio é Чварци. As pessoas que misturam língua com ortografia, que acham de ter uma língua como o servo-croata que se pode escrever não com duas normas ortográficas, mas com dois alfabetos diferentes?

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