21/06/22

Nota de viagem

«24 de maio: Da varanda da casa onde ficámos, em Zadar, o que se vê podia ser Portugal: as vivendas e os quintais, com nespereiras, figueiras, oliveiras e cerejeiras. Só o que parece muito mais Dinamarca que Portugal é a rapariga de bicicleta, certamente a caminho da escola, de mochila às costas e sem mãos no guiador, comendo o pequeno-almoço enquanto pedala.»







2 comentários:

jj.amarante disse...

A situação em Lisboa e presumo que noutras partes do país alterou-se radicalmente em relação às bicicletas desde que apareceram as que têm apoio de motor eléctrico. Lisboa, com as suas colinas e pavimento empedrado era impraticável. Agora vêem-se imensas bicicletas e nas subidas é facílimo detectar se têm apoio eléctrico, neste caso o condutor continua confortavelmente sentado no assento com uma cara de quem vai a pedalar tranquilamente numa planície.

Os portugueses têm os seus entusiasmos e em Lisboa têm criado ciclovias por muitos sítios, às vezes são chamadas ciclovazias porque nem sempre têm utilizadores.

Por outro lado, eu lembro-me de ter tirado a carta de bicicleta em cujo exame me perguntaram o significado de uns tantos sinais de trânsito e me viram talvez pedalar fazendo um oito numa área vedada ao trânsito. Agora qualquer pessoa pode andar de bicicleta sem qualquer burocracia e os ciclistas parecem ignorar regras que antes existiam como por exemplo respeitar os sinais de sentido proibido, não andar nos passeios com velocidades que colocam os peões em perigo.

Existe ainda mais uma contradição que consiste na criação de imensos sentidos únicos nas artérias da cidade para tornar o trânsito "mais fluido", leia-se "mais veloz", aumentando as distâncias que num carro exigem apenas um pé no acelerador enquanto nas bicicletas é sempre preciso pedalar, justificando esta violaºção dos sentidos proibidos.

Uma vez que os vereadores têm tanto entusiasmo em reduzir a velocidade a que circulam os carros, seria de considerar a supressão de muitos sentidos únicos que deixaram de fazer sentido.

E impor uma forte limitação à velocidade máxima das trotinetas uma vez que se trata de veículos que é impossível assegurar que não usem os passeios enquanto será simples limitar a velocidade a, por exemplo 15 km/h para não pôr em perigo a vida dos peões.

E depois de escrever tanto vou passar este texto também para o meu blogue.

V. M. Lucas Lindegaard disse...

Pois, há de facto muita coisa a dizer sobre as bicicletas e o trânsito em geral, mas é assunto que não domino. Da bicicleta, sou apenas um utilizador: vou todos os dias para o trabalho de bicicleta e no meu trabalho também me desloco de bicicleta. Agora, esta nota de viagem era mais sobre uma imagem. Aqui, estes miúdos quase que nascem em cima da bicicleta, tratam a bicicleta completamente por tu. E vi a rapariga croata portar-se exatamente como eles, a comer na bicicleta, pedalando sem mãos, e achei engraçado, porque o quadro não era tinha cenário daqui. Mas era bem capaz de ser um caso excecional. O estudo da Comissão Europeia sobre o uso da bicicleta como meio de transporte (2014) diz que só 6% dos croatas usavam regularmente a bicicleta, contra 23% dos dinamarqueses. Em Portugal, só 1%: era o país da Europa onde menos se andava de bicicleta. Não sei se haverá alguma alteração significativa nos últimos oito anos.