Qualquer texto sobre a Suanécia, no Cáucaso georgiano, refere as famosas torres dos Suanos e datará provavelmente a sua construção de entre os séculos VIII e XII. A página da Convenção do Património Mundial da Unesco sobre a Alta Suanécia vai até mais longe (traduzo eu do inglês):
As origens das casas-torres da Suanécia remontam à pré-história. As suas características refletem a economia e a organização social tradicionais das comunidades suanas. Estas torres têm geralmente de três a cinco andares e a espessura das muralhas vai diminuindo a partir da base, dando às torres um perfil esguio e afunilado. As moradias têm geralmente dois andares. No rés-do-chão, há uma única sala com uma lareira e alojamento para pessoas e animais domésticos, estes últimos separados das pessoas por uma divisória de madeira, muitas vezes ricamente decorada. Um anexo no corredor contribuía para o isolamento térmico do edifício. O piso superior era utilizado pelas pessoas durante o verão e servia também para guardar forragem e ferramentas. Uma porta no segundo andar dava acesso à torre, que tinha também uma ligação ao corredor que protegia a entrada. As casas-torres eram utilizadas como residência e como postos de defesa contra os invasores que assolavam a região.
Pode parecer-nos surpreendente que construções familiares, mesmo sendo de alguma forma militares, tenham durado tanto tempo, mas não nos virá a surpresa do hábito que temos de associar monumentos à aristocracia ou à religião?
De facto, há um pouco por toda a parte habitações privadas de camponeses e burgueses que foram construídas há muito tempo, mas a maior parte delas sofreu tantas modificações que é mais correto dizer que começaram a ser construídas há muitos séculos. Evidentemente, isto passa-se também com pontes e arcos, igrejas e conventos, castelos e palácios, e todas as construções enfim, de que se costuma datar a construção, mas não surpreende que se passe em maior escala em construções mais modestas e que servem fundamentalmente para habitação.
As grandes torres meio fortaleza meio armazém, como as da Suanécia, parecem ser uma exceção de longevidade com poucas alterações na sua arquitetura. E eu, que nunca tinha visto nada semelhante noutras partes do mundo, pensei, quando descobri essas torres dos Suanos, que eram um fenómeno único, que só havia torres daquele tipo naquela zona. Mas não é bem assim. Escreve Studiolum no seu blogue Poemas del Río Wang (traduzo eu do inglês):
Os povos das planícies, sobre os quais a abóboda celeste paira a uma altura inalcançável, constroem cúpulas que imitam esse céu: iurtas, mesquitas, catedrais. Os povos das montanhas constroem torres, como se só fosse preciso somar aqueles vinte metros aos seus mil ou dois mil metros de altitude para conseguir tocar o céu estendendo apenas a mão. Depois das torres de Assis e de San Gimignano, do vale de Theth na Albânia, das casbás marroquinas e das torres do Svaneti, Tusheti e Inguchétia, as torres de Kham, no leste do Tibete, fornecem mais provas disso.
É uma explicação muito romântica da construção das torres, mas cheia de charme. (Ou talvez se deva usar um «portanto» em vez de um «mas»…) O artigo dá informação muito interessante sobre as torres tibetanas, ilustrada por excelentes fotografias.
As fotografias das torres da Suanécia são minhas.
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| Alta Suanécia: Adishi com as suas torres |
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| Infelizmente, nem todas as torres da Suanécia estão em bom estado |
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| Ushguli é uma das localidades da Alta Suanécia com mais torres mais bem preservadas |
Não é só na Alta Suanécia que há casas-torres na Geórgia. «Localizada na encosta norte das Montanhas do Grande Cáucaso, Tusheti é famosa pelas suas casas-fortaleza e torres fortificadas. … Semelhantes em termos de construção às torres da Suanécia, têm geralmente três a cinco andares… .
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| Datlo, Tusheti, Geórgia. Foto: Lidia Ilona, CC License, daqui |
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| Pyaling, Ingushétia. Foto: Timur Agirov. CC License, daqui |
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| Foto: LigaDue, CC License, daqui |
Também há casas-torres em várias regiões dos Balcãs. São mais baixas que as do Cáucaso, do Tibete ou de San Gimignano e também alguns séculos mais recentes, tendo a sua construção começado no séc. XVII.
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| Thethi, Albânia. Foto: Doron, CC License, daqui |
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| Bujan, Albânia. Foto: ShkelzenRexha, CC License, daqui |
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| Vratsa, Bulgária. Foto: Nikolai Karaneschev, CC License, daqui |


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