Notícias do quintal: estão os espargos a chegar ao fim (muitos espargos comemos em maio!), mas as curgetes começaram agora a dar e, como temos quatro plantas, vamos ter de apanhar curgetes quase todos os dias. Mas é praticamente a mesma coisa todos os anos e eu desenrasco-me sempre: se não arranjo dezenas de maneiras de cozinhar curgete, vou pelo menos metendo curgete em dezenas pratos, que é quase a mesma coisa.
Isto a culinária é como tudo o resto, tem ondas. Houve alturas em que o prato com curgete que mais se comia cá em casa era ratatouille, mas normalmente uma ratatouille rápida, com os legumes ainda firmes. Depois houve um período de pastelinhos de curgete, não sei como lhes hei de chamar, assim uma espécie de peixinhos da horta com curgete ralada em vez de feijão-verde, mas com muito pouca farinha e só salteados em vez de fritos em óleo. Atualmente, porém — não é que a ratatouille e os tais pastelinhos tenham desaparecido, nada disso —, acho que os pratos com curgete que mais gosto de fazer são arroz de curgete e curgete com anchovas e alcaparras.
O arroz de curgete à minha maneira faz-se assim: refoga-se bastante cebola e bastante curgete (não vale a pena picar muito fininho) em azeite, quando estiver bem refogado junta-se o arroz (de preferência, um arroz com bastante goma) e deixa-se absorver a gordura, deita-se um bocadinho de vinho branco ou vinho da Madeira, conforme prefiram mais ácido ou menos ácido, deixa-se o vinho evaporar e junta-se caldo de legumes. Não digo aqui nada sobre o sal, mas cada um é que sabe como gosta, se o caldo que utiliza já tem sal e se o queijo que vão utilizar mais tarde é muito salgado ou não.
Entretanto, enquanto o arroz coze, refoga-se mais curgete com cebola noutra frigideira. Mais curgete que cebola, desta vez, O melhor até é começar a refogar antes de começar o arroz, para dar tempo a esta porção de curgete e cebola de refogarem muito devagarinho, com o menos de coloração possível. Pode ir-se juntando água, se secar. E sal, se quiserem.
Quando o arroz estiver quase pronto (não deve ficar muito seco, mas também não deve ficar a nadar em líquido) põe-se um bocado de queijo e, se se quiser, um bocadinho de nata.
Passa-se com a varinha o refogado de curgete e cebola da outra frigideira e junta-se o creme resultante ao arroz. Verifica-se sal e junta-se um bom bocado de pimenta preta, de preferência moída na altura.
Não tenho fotografias de arroz de curgete e é pena, porque fica muito bonito, mas tenho de curgete com anchova e alcaparras, que fiz ontem. Aliás, não é bem anchovas e alcaparras, porque não tinha anchovas cá em casa, é com molho de soja em vez de anchovas, uma alternativa possível. Mas com anchovas é melhor.A receita é muito simples. Corta-se a curgete em tiras muito finas. O melhor é usar a lâmina da mandolina para fazer tiras, como eu faço, mas também se pode fazer à mão, dá é muito mais trabalho. Salteiam-se as tiras de curgete num bocadinho de azeite a fogo muito brando durante alguns minutos e junta-se depois um punhado de alcaparras e de anchovas dessas de lata, salgadas, tudo picado. Deixa-se apurar mais uns minutos, retifica-se o sal e junta-se um pouco de pimenta preta. Também se pode pôr sal antes, mas a curgete vai largar água e a consistência fica diferente. Até se pode, se preferirem, pôr as tiras de curgete em água com um bocadinho de sal antes de as saltearem, vocês verão, depois de experimentarem, que maneira vos agrada mais.
E bom proveito!
Sem comentários:
Enviar um comentário