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15 de outubro de 2018

Nascut al Born o a altre lloc (sobre Barcelona em particular e o turismo em geral)

São as vantagens de ter muito boa pronúncia: a senhora do café pensa que eu sou espanhol e pensa, por isso, que eu sei de onde ele é. E é meio verdade—sei reconhecer à légua o sotaque do Río de la Plata, embora não saiba distinguir uruguaios de argentinos. Mas espanhol não sou. Sou turista, como os outros todos que enchem as ruas de Barcelona. Faço parte dessa praga.

Não há mal nenhum em ser turista, deixemo-nos de conversas; e, por muito que alguns se empenhem em afirmar o contrário, não há diferença real entre turista e viajante – ambos os termos referem quem passa nalgum lugar, quem observa com olhos que veem o que o residente não vê, quem sente menos o peso da pressão social e abusa até, de vez em quando, da liberdade que isso lhe dá, para o bem e para o mal; quem recolhe imagens e sons e cheiros que arquiva em álbuns de recordações, o mais das vezes apenas no ficheiro tão perecível—pobres de nós!—do seu sistema nervoso.

Turista ou viajante não se pode explicar como «estrangeiro». Estrangeiro é o que tem outra nacionalidade, mas o estrangeiro pode fazer parte do local, não estar ali a viajar, a fazer turismo – pode pagar impostos e ter cartão de saúde. E há turistas que não são estrangeiros, há-os que vêm apenas de outra província, talvez até de uma cidade vizinha. Um turista pode saber o nome de muitos bolos na montra da pastelaria, mas talvez não espere que lhes perguntem se quer a empada aquecida, porque isso se calhar não se faz lá na terra dele. «Ah, mas deve ser [deve ser, ele não tem a certeza] porque a senhora do bar é argentina.»

[Não sei como serão as empadas em Salta—e também não sei porque é que a senhora havia de ser de Salta, mas havia cafés na Bolívia, onde comia empadas salteñas quentes e davam-nos uma colher de café para comer o molho: trinca-se uma ponta, come-se com a colherzinha o líquido que sai e depois é que se leva a empada à boca. Na Bolívia, fui residente estrangeiro e turista só nalguns lugares: em Rurrenabaque e em Guayaramerín, uma vez que lá fui de férias; ou no Chapare—tirei fotografias da Karen com macacos ao colo, como os turistas costumam tirar.]
A senhora do bar deve antes ser uruguaia. É a tal coisa, não sei distinguir o sotaque argentino do sotaque uruguaio. Mas vende rosca de chicharrones, vejo agora, e isso é um petisco uruguaio, não é? Aqui, enquanto saboreio a empanada, sou ao mesmo tempo turista e estrangeiro. Um dos muitos que há em Barcelona. E na minha Lisboa Natal. O mais engraçado é que eu agora sou, a bem dizer, tão turista em Lisboa como em Barcelona. OK, concedo-vos que exagero um bocadinho, pronto, mas não tanto como possam pensar. É que a Lisboa em que eu não era turista é doutro tempo; e o tempo—deixem-me insistir nisto, que é uma verdade importante—é uma dimensão tão real e tão sólida como as três outras que estruturam o nosso espaço.

Em Svendborg, sou estrangeiro, mas nunca viajante turista. «O centro? O centro é aqui mesmo», explico ao turistas norte-americanos. «A parte antiga…», insistem eles. «Também é aqui. Esta parte da cidade está cheia de edifícios antigos. Cheguem aqui. Veem ali aquela casa? É a mais antiga da cidade, de meados do séc. XVI.» Conheço em Svendborg uma janela decorada com umas miniaturas de plástico que representam uma sessão de strip-tease. Tenho residência na comuna e voto para as autárquicas. Estrangeiro sou, claro, com um sotaque que me denuncia tão imediatamente como a minha fisionomia. Aqui, o sotaque não me denuncia, nem a pinta sulista. É claro que não sou catalão, porque não falo a língua, mas bem que podia ser imigrante de outra parte de Espanha.

Não digam mal de turistas nem de viajantes nem de estrangeiros residentes. É impossível, pensem bem, que haja algum mal em ter-se nascido noutro lugar. «Quer moedas? Tenho o bolso cheio, a ver se me livro delas. Quanto é que lhe devo?»

Um turista austríaco diz-me que gostava de conhecer Lisboa, que ouviu dizer muito bem. «Lisboa é uma bonita cidade, sim, senhor, como há milhares por esse mundo fora. Agora está na moda, tem quase tantos turistas como Barcelona… E de que nos podemos queixar… nós, que também somos turistas?» «Pois, é verdade, mas há turistas e turistas… Há turistas de vários tipos.» A diferença entre turistas bons e maus é como a diferença entre turistas e viajantes—inventada pelos que se querem dar a si mesmo boa consciência, quando não afirmar algum tipo de superioridade. Conheci uma vez em Bordéus, há mais de 40 anos, um vagabundo profissional, esse sim, viajante essencial, porque não tinha casa nem terra a que chamar sua. «Turista em dificuldades, é isso que eu sou. Turista em dificuldades.» Pode ser essa a diferença, o grau de dificuldade. Para quem viaja com dinheiro que chegue para matar a fome e dormir abrigado todas as noites, não há diferença entre viajantes e bons e maus turistas.

Alguns estrangeiros têm algo em comum com os turistas em dificuldades: os estrangeiros em dificuldades. Saem de casa—do prédio onde estamos a morar, no Born—com trouxas muito grandes de peças de artesanato, que abrem nos sítios onde os turistas se concentram e que num ápice voltam a entrouxar quando aparece a polícia.

[Dumba nengue, diz-se em ronga: «confia no pé», que é o que tem de fazer o vendedor furtivo que a polícia persegue; ou chunga moio, como se diz em ndau, «coragem no coração».]
«Não se rouba nada a não ser cigarros para a noite», repetia sempre o Apache aos seus companheiros de turismo em dificuldades. Arranjar que fumar também pode ser difícil para alguns estrangeiros, creio eu. Os três indonésios por que passo interromperam o trabalho para fumar. Sei que são indonésios porque fumam kreteks, aqueles cigarros de tabaco e cravinho que há na Indonésia. Não lhes deve ser fácil encontrá-los em Barcelona. Ou então sim, em Barcelona encontra-se de tudo. Dois deles têm carrinhos de mão e um tem um triciclo de caixa de madeira, em que se vê escrito apenas um URL dos Países Baixos, qualquercoisa.nl... Se calhar, fazem entregas ou transportes para alguma companhia neerlandesa… Isto sou eu a inventar, sei lá o que fazem. Antigamente, as pessoas que faziam transportes e entregas para uma empresa chamavam-se paquetes, não sei se a designação ainda se utiliza. De 1861 a 1949, o que é hoje a Indonésia chamava-se Índias Orientais Neerlandesas.

[Em Moçambique, chama-se tchova-xitaduma aos carrinhos de mão de aluguer para transporte seja lá do que for, de mobílias a materiais de construção. É ronga e significa «empurra que há de pegar»—os moçambicanos gostam muito de fazer pouco das suas próprias dificuldades, para usar a expressão com que o Apache descrevia o tipo de turismo que fazia.]
Os nomes das coisas vão mudando e nem sempre é fácil manter-se atualizado. Outras vezes, os nomes mantêm-se e mudam as coisas que eles designam. O nome Lisboa já não refere exatamente a mesma cidade que conheci em rapaz novo; e Barcelona também mudou muito desde que a vi pela primeira vez, em outubro de 1976 – há 42 anos, quem diria? O tempo é uma dimensão duríssima, tão dura como as pedras das catedrais. Em 1976, havia incomparavelmente menos turistas que agora.
Os turistas de agora—sobretudo se forem desses turistas que se chamam a si próprios viajantes—queixam-se do excesso de turistas e são nisso iguais a muitos residentes, que se queixam também do excesso de turistas. Muitos residentes espanhóis queixam-se também do excesso de residentes estrangeiros e há até residentes estrangeiros que também se queixam do excesso dos estrangeiros que lhes são estrangeiros. Muitos residentes estrangeiros trabalham em bares, restaurantes e lojas para turistas, que parecem ser metade do comércio da cidade. Estranho comércio de decorativas inutilidades. Dito assim, parece depreciativo, mas não tem de o ser: ser inútil e decorativo é uma caraterística da maior parte das obras de arte, não fica mal a nenhuma artesania para turistas ser também inútil e decorativa.

Uma grande oficina de serralharia o ar livre na Sagrada Família – ou o que dela se consegue ver através 
da vedação de metal. As obras continuam, hão de continuar. 
Por que coisas úteis é conhecida Barcelona? Nem o aço de Toledo, os relógios de La Chaux-de-Fonds nem o sal de Aveiro, históricas preciosidades? Haverá ainda quem fume cigarros balsámicos do Dr. Andreu, com que eu tentava combater a asma da minha infância?  Alguém ainda compra Pastillas Juanola, comercializadas, ademais, em castelhano? Barcelona vende Gaudí e Picasso em forma de visitas guiadas, postais e bibelôs.

Estava magnífica, Barcelona, num início de outubro ainda estival. Quando voltar, fico no Poble Sèc ou em Sants, onde não há tantos turistas. Pode ser que da próxima vez me decida finalmente a ir visitar por dentro o Temple Expiatori de la Sagrada Família, todos me garantem que vale mesmo a pena.


23 de abril de 2018

Refugiados e imigrantes na Dinamarca e no resto da UE

Nuno Serra publicou no Ladrões de Bicicletas um artigo sobre a posição dos cidadãos europeus relativamente aos refugiados. O artigo baseia-se em dois relatórios do Eurobarómetro, um sobre Opinião pública na União Europeia e outro sobre Integração de emigrantes na União Europeia (em inglês) e dá informação interessante sobre a perceção dos refugiados nos 28 países da UE. O autor verifica que «ao contrário do que se poderia supor à partida – existe uma correlação entre estes resultados e a percentagem de residentes estrangeiros em cada país.» De facto, «os Estados-membros menos favoráveis a políticas de apoio a refugiados são também, em regra, os que têm menos residentes estrangeiros, em termos relativos» e conclui o seguinte:
Estes dados transmitem uma noção bastante clara: quanto menos um país se relaciona, dentro das suas fronteiras, com os que provêm de outras paragens, maior a propensão para deixar instalar o medo do desconhecido. Uma sociedade que acolhe o «outro» e incorpora a diferença protege-se melhor do efeito dos discursos xenófobos e dos simplismos que associam – sem fundamento – a imigração ao desemprego ou a chegada de refugiados à insegurança.
Tenho tido sempre tendência a concordar com Nuno Serra. Aliás, disse mais ou menos o mesmo por altura das últimas eleições aqui na Dinamarca, ao constatar que a percentagem de votos no Partido Popular (Dansk Folkeparti, um partido que parece ter como única causa concreta o combate à imigração, sobretudo de muçulmanos) é mais ou menos assim, inversamente proporcional ao número de imigrantes em cada círculo eleitoral. Em Nørrebro, o meu antigo bairro de Copenhaga, onde há a maior concentração de muçulmanos (e estrangeiros, em geral) do país, o Partido Popular teve uma votação extremamente baixa, 5,4%. Já, por exemplo, em Aabenraa, na Jutlândia do Sul, ou em Frederikshavn, na Jultlândia do Norte, onde a quantidade de imigrantes é muitíssimo pequena, o Partido Popular teve 31,8% e 26,8% dos votos, respetivamente.

Um comentador anónimo do texto de Serra propõe, contudo, que «[p]ossivelmente a causalidade entre as variáveis é inversa, ou seja, é a pré-disposição a aceitar refugiados que se traduz num maior acolhimento dos mesmos». Esta objeção merece escrutínio. Tantas vezes que se invertem as relações de causalidade, bem poderia ser este mais um caso: quem conheça refugiados dá-se conta de que são pessoas como as outras, de quem não há nada a temer ou os refugiados vão para sítios onde as pessoas estão mais dispostos a recebê-los? É precisa muita informação para poder ajuizar acertadamente e eu não a tenho, mas posso, ainda assim, tentar alinhar algumas ideias sobre a questão. Falarei de «não ocidentais» em geral, em vez de me limitar apenas a refugiados. A categorização parecerá a muitos algo estranha, mas é a que usa, por exemplo, o Partido Popular dinamarquês, que propõe medidas diferentes para diferentes grupos de imigrantes. «Não ocidentais», assim, com aspas, para deixar claro que não é categorização minha, mas de uma parte do «senso comum» europeu, referirá aqui tanto refugiados como os chamados imigrantes económicos oriundos de África e da Ásia[1], já que perceções e atitudes variam pouco ou nada relativamente a estes dois grupos, por muito que sejam muito diferentes, e a perceção dos refugiados tem, pelo menos em parte, raízes na perceção dos imigrantes «não ocidentais» que os precedem. Não que os imigrantes sejam na sua maioria dos mesmo países de origem dos refugiados, mas quem distingue, sobretudo entre quem recusa «não ocidentais», um sírio de um iraniano, um libanês ou uma paquistanês? Nem sequer de um turco[2]

A hipótese de que é «é a pré-disposição a aceitar refugiados que se traduz num maior acolhimento dos mesmos» implica que os refugiados saibam onde são mais bem recebidos ou então que decidam fixar-se aqui ou ali por metodologia de tentativa e erro: experimentamos aqui, não gostam de nós, vamos para outro lado. É possível. Ou também pode significar, se pensarmos em termos de legislação e da qualidade do acolhimento, que sabem onde existe legislação mais ou menos favorável ao seu acolhimento – e, neste caso, há uma correspondência entre a perspetiva do legislador e a opinião do cidadão, o que é sinal de bom estado de saúde da democracia na Europa. Tendo em conta estes aspetos, não encontro nada que impeça a inversão da causalidade – nem nada que a prove. Não deixa de ser curioso, por exemplo, que na Dinamarca, que tem leis muito restritas de imigração e acolhimento de refugiados [3], haja uma perceção positiva dos refugiados e apoio expresso dos cidadãos ao seu acolhimento.

Numa questão tão complexa, entram seguramente em jogo outros fatores que levam os estrangeiros a fixar-se num determinado lugar e os fazem ser mais bem aceites num sítio que noutro. O primeiro que nos vem à mente é, claro está, a economia. É evidente que as boas perspetivas económicas atraem os chamados «imigrantes económicos» e não é impossível que isso tenha uma influência indireta sobre as movimentações de refugiados, porque a existência, à partida, de compatriotas ou comunidades culturalmente semelhantes é sempre um fator de escolha do destino de todos os migrantes, refugiados ou não. Outra influência que a situação económica do país tem sobre o número e a perceção dos «não orientais» é que uma população mais rica, no país de destino, não sente a mesma pressão para defender os seus escassos recursos, tentando impedir o acesso de forasteiros a esses recursos. Este último fator é muitas vezes convocado para explicar a subida da extrema direita antiemigrantes em zonas empobrecidas e com altos níveis de desemprego, algumas delas tradicionais feudos dos partidos de esquerda. Os números dos relatórios parecem confirmar a relação entre perceção da economia e dos refugiados: quem vê a sua economia como boa, tende a ter uma atitude mais positiva dos emigrantes e a defender que seja dado apoio aos refugiados. Há, porém exceções, como o caso de Portugal, com uma perceção negativa da economia e positiva de emigrantes e refugiados, ou da República Checa, com perceções opostas às portuguesas.

Passemos da Europa comunitária a um país específico (usarei, por facilidade o exemplo da Dinamarca), para ver se o nível local nos ajuda a confirmar ou a questionar algumas das possibilidades acima delineadas.

Bom, a questão da legislação e da qualidade do apoio a refugiados é irrelevante a nível nacional, porque é igual em todo o país. Mas também nunca ouvi falar (e duvido mesmo muito) de que tenha havido tentativas frustradas e retificadas de fixação de grandes quantidades de estrangeiros nas zonas onde as pessoas menos o querem. Mas continua a ser possível que eles tenham já a à partida a informação de que têm ali terreno hostil.

Ao nível nacional, não parece haver relação direta entre rendimento e perceção dos refugiados. Se é certo que, dos exemplos que dei atrás, Frederikshavn é uma zona pobre e Copenhaga uma zona rica, já Aabenraa é também uma zona das mais ricas do país, com uma perceção negativa dos «não ocidentais», a julgar pelo sucesso da extrema direita. Vejler e Sønderbog, das regiões mais ricas do país, têm também das votações mais elevadas no Partido Popular, mais do dobro de Rudersdal e Horsholm, as regiões mais pobres da Dinamarca.

Outro fator importante que nos vem de imediato à mente quando analisamos a questão a nível intranacional é a oposição campo/província vs metrópole. Compreende-se que os «não ocidentais» prefiram as grandes cidades, porque no geral aí há, de facto, mais possibilidades de refazer a sua vida e parece certo que as pessoas das cidades têm uma mentalidade mais aberta e estão mais habituadas a lidar com o diferente e a incorporá-lo. Esta distinção entre uma mentalidade rural/provinciana e a uma mentalidade urbana/metropolitana, nalguns casos cosmopolita, é, substituindo apenas país por localidade, a distinção que Nuno Serra faz entre países com uma atitude positiva ou negativa face aos refugiados: quanto menos os habitantes de um lugar se relacionam com forasteiros, maior tendência têm a ter medo deles.

A minha mulher lembrava-me, quando ontem discuti com ela algumas ideias deste texto, que, quando fala com as pessoas conhecidas de Frederikshavn (ela é de lá) que não querem lá imigrantes, todas se apressam a acrescentar que não é aquele turco da mercearia da esquina nem o barbeiro libanês, que por acaso até são excelentes pessoas. São os muçulmanos dos guetos de Copenhaga que constituem o problema, é por causa deles que votam no Partido Popular. A diferença entre os primeiros e os segundos é que esses pessoas conhecem os estrangeiros locais e não fazem ideia, a não ser por meio de boatos e propaganda antiemigrante, de quem sejam de facto os muçulmanos de longe. A afirmação da minha mulher é, aliás, banal: toda a gente sabe que as pessoas que descriminam algum grupo poupam sempre a essa discriminação um ou outro membro desse grupo, que conhecem e até são, por acaso, umas joias de pessoas.

Haverá, com certeza, várias razões que se interligam e que podem variar de país para país para os seus cidadãos terem uma perceção mais ou menos negativa dos estrangeiros, e principalmente dos «não ocidentais»; mas, seja ou não a principal causa dessa perceção, o isolamento e o desconhecimento do Outro não podem senão ser – sempre foram – um fator importante na rejeição desse Outro. O medo é mesmo, como diz Nuno Serra, um país distante.

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[1] A perceção de chineses e vietnamitas é, com certeza muito diferente, da dos outros asiáticos, já que muitas vezes que se considera, com ou sem razão, que, fora das suas relações comerciais com os locais, se mantêm «invisíveis», vivendo uma vida completamente à parte.

[2] Vi algumas vezes iranianos furiosos por os referirem como árabes – e, assentemos, com mais razão que a que leva um português a enfurecer-se quando confundem Portugal com Espanha; e vi «não ocidentais» ateístas como eu a reagir mal a chamarem-lhes muçulmanos, como eu reajo mal a quem parta do princípio que sou católico porque sou português. Mas isso é outra conversa…

[3] Algumas destas medidas restritivas à imigração e acolhimento de refugiados têm sido muito criticadas internacionalmente. Devem-se, por um lado, à influência do Partido Popular, a quem vários governos tiveram de fazer cedências para conseguir maioria parlamentar; e, por outro, à necessidade que outros partidos têm sentido de tentar satisfazer uma grande parte do eleitorado para quem esta questão é importante. O debate sobra a imigração tem tido sido desproporcionado relativamente à dimensão real da mesma.