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13/08/26

Mise en abyme, infinite loop, pescadinhas de rabo na boca ou como lhes queiram chamar


Os diversos tipos de autorreferência constituem um mundo que pode ser apenas divertido, surpreendente ou muito complexo, conforme os casos e conforme se o queira ver. Coisas dentro delas próprias, textos a falarem de si mesmos. Não tenho a mínima intenção de desenvolver o assunto, só de aqui reunir meia dúzia de coisas sem grande importância que eu acho engraçadas. 

I. Já uma vez aqui falei dos problemas levantados pela tradução de frases autorrerenciais, mas eis mais um exemplo. A frase 

Esta frase tem vinte e oito letras

não se traduz para espanhol sem lhe dar grandes voltas, porque

Esta frase tiene veintiocho letras

tem 30 letras; mas traduz-se facilmente para francês, já que

Cette phrase a vingt-huit lettres

tem também 28 letras. Tentem traduzir para outras línguas.

***

II. Tem-me aparecido muitas vezes nos últimos tempos este problema (de que não consegui encontrar a origem, mas cuja versão mais antiga que consigo encontrar é esta, reformulada aqui):

Se escolher aleatoriamente a resposta a esta pergunta, qual a probabilidade de acertar?

a) 25%
b) 50%
c) 0%
d) 25%

***

III. Uma brincadeira famosa com um circuito fechado de autorreferência encontra-se no livro LaTeX: A Document Preparation System , de Leslie Lamport (1994), onde, no índice, a referência de infinite loop remete para a página do índice onde ela própria se encontra, sem mais.

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IV. Fotografias tiradas por mim de coisas dentro delas mesmo (ou quase, vá…):

A) Esta casa famosa de Faaborg (Hobys Gård, Holkegade 3) tem à janela uma imagem de si própria (na janela mais à esquerda).



B) A título anunciado no cartaz, Under isen , que significa «debaixo do gelo», está parcialmente debaixo do gelo (ou talvez não seja bem gelo, mas pode facilmente tornar-se gelo…) 

P.S. Finalmente, um links apenas para uma imagem que, em princípio, não posso aqui pôr: no blogue Illustration Art , David Apatoff tem uma excelente foto onde se mostram, lado a lado, dois excelentes exemplos de mise en abyme em pintura , o da esquerda com óbvia referência ao da direita e claras intenções humorísticas: Richard Williams (Alfred E. Numan, Triple Self Portrait, 2002) vs Norman Rockwell (Triple Self Portrait, 1960)