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19 de outubro de 2018

Sobre a ilha de Langeland [Crónicas de Svendborg #29), comprimentos, larguras e alturas


Esta imagem e a última:  Wikimedia Commons
Ninguém pergunta a ninguém por que razão a ilha de Langeland se chama assim, porque a resposta parece demasiado óbvia: det lange land significa «a terra comprida» e Langeland chama-se assim porque é comprida.

É certo, mas este «comprida» tem mais que se lhe diga. Langeland tem 52 km de comprimento e 11 km de largura na parte menos estreita. Se tivesse o mesmo comprimento, mas 36 km de largura, muito provavelmente não se chamava Langeland. Langeland significa então «com um comprimento muito maior que a largura». Até se podia chamar Smalleland, «terra estreita».

É sempre assim? Por definição, é assim com o comprimento e a largura, mas a altura tem um valor absoluto, para que não há que ter em conta as outras dimensões. Uma pessoa é alta quando tem dois metros, independentemente de ser gordo ou magro, como é alta uma montanha de 4000 metros, tenha que forma tiver. Curiosamente, a palavra comprido conserva as mesmas propriedades quando se usa para significar «alto» (o que não é muito frequente, mas pode acontecer). O Manel Comprido, um rapaz com quem eu jogava à bola em miúdo, provavelmente não se chamaria assim, se fosse gordo. Era mais provável que lhe chamassem antes Manel Grandalhão ou Manel Gigante, ou qualquer coisa desse tipo.

A razão para isto é, creio eu, que a altura está associada à verticalidade, que é uma categoria não relativa, ao passo que comprimento e largura são categorias puramente relacionais: o comprimento só é comprimento, porque é a dimensão maior de uma superfície, faça ela ou não parte de um objeto.

Em português europeu, pode acontecer usar-se a relação entre a altura e a largura para fazer distinções que não se fazem noutra variantes da língua, ou noutras línguas — estou a pensar em tacho e panela, e maçã e pero, os primeiros mais largos que altos e os segundos mais altos que largos.

Tirando isso, Langeland é uma ilha bem bonita. A zona de Bagenkop, no sul da ilha, é boa para observar pássaros – e cavalos bravos. Se se interessarem mais por física que por animais, podem visitar Rudkøbing, a capital da ilha, que é a cidade natal de Hans Christian Ørsted, e podem ver onde é que ele nasceu e meditar sobre a importância das suas descobertas, enquanto contemplam a sua estátua lá muito perto. Mas, independentemente do interesse que se tenha em Ørsted, Rudkøbing é uma cidade muito bonita, que vale mesmo a pena visitar. Outra localidade muito, muito bonita, a cerca de 12 quilómetros de Rudkøbing, é Tranekær.

Deem-me uma apitadela quando cá vierem, boa viagem e boas férias.